Empresas Familiares

09/09/2016

Sérgio Rodrigues

Este é um tema esquecido e que envolve tantas empresas e tantas famílias. Talvez porque as relações destes dois sistemas envolvam conhecimentos e profissionalidade das áreas da psicologia e do management. São dois sistemas que se sobrepõem e que podem gerar bons resultados ou conflitos indesejáveis para ambos os sistemas.

Por isto mesmo chama a atenção o fato de que as relações condicionantes entre pais, filhos e irmãos no âmbito de uma empresa familiar se encontre tão desprovida de um suporte profissional que os possa ajudar. Isto talvez seja a razão de porque “as estatísticas demostram que a maioria das empresas familiares, em todo o mundo, não conseguem atingir a transição para a 3ª geração[1].

O SEBRAE/SC estima que no Brasil 90% das empresas são familiares. Em um artigo encontrado no site:

http://www.sebrae-sc.com.br/newart/default.asp?materia=10410 ele é finalizado com estas considerações:

Considera-se que 70% das empresas familiares encerram suas atividades com a morte de seu fundador; e o ciclo médio destas empresas é de 24 anos. E que, dos 30% que sobrevivem na segunda geração, só uma minoria perdura até a terceira geração.

Porquê isto acontece?

Por que as “consultorias” já disponíveis não conseguem reverter este quadro estático mundial?

Poderíamos fazer muitas perguntas, mas vamos tentar entender estas duas aqui colocadas porque representam muito bem este quadro.

O primeiro ponto a se ter em mente é que uma família é um sistema composto pelos seus elementos (membros da família), pelos atributos dos elementos (seus valores, seus comportamentos) e pelas relações (interações através dos processos de comunicação) que integram e mantêm o sistema.

Os casais e as famílias são sistemas abertos e, por isto, sofrem interações com o ambiente onde estão inseridos. Desta forma, a interação gera realimentações que podem ser positivas ou negativas, criando assim uma auto regulação regenerativa, que por sua vez cria novas propriedades que podem ser benéficas ou maléficas para o todo independentemente das partes.

Vou colocar de uma maneira ilustrada esta integração de diferentes sistemas e heranças tão diferentes que acabam convivendo e interagindo num ambiente de um casal e de uma família.

Imagem8

 

 

 

 

 

 

Imagem3

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como se pode ver, todos os membros deste sistema familiar estão em “relação” e interação com outros sistemas e outros ambientes.

Para se entender e poder ajudar as pessoas, os casais ou as famílias – como tudo na vida – não devemos excluí-los do mundo em que vivem. As relações com este mundo externo é que vai contribuindo para a construção, estabilização ou desestabilização de seus respectivos mundos internos. Os vínculos que existem em um casal ou em uma família vão sendo construídos através do processo de comunicação desenvolvido através destas relações.

Se olharmos para o que é uma empresa vamos perceber que ela também é um sistema com seus elementos, com seus atributos e suas relações. O sistema empresarial não só está inserido em um sistema comercial altamente competitivo como também desenvolve suas atividades num ambiente nem sempre facilitador ou acolhedor. Não vou me alongar fazendo uma representação gráfica do sistema empresarial, mas tomando-se como referência a representação gráfica do sistema familiar é só considerar que também existem elementos (em número muito maior), existem atributos e existem relações que mantêm o sistema e sua relação com os sistemas do ambiente comercial.

Que dificuldades, que desafios e que armadilhas vão se estabelecendo no desenvolvimento das empresas familiares para colocá-las neste nível de risco?

Toda empresa familiar corre os mesmos riscos de sobrevivência em um mercado competitivo que uma empresa não-familiar, mas soma-se a estes riscos a convivência de dois sistemas distintos: o sistema familiar e o sistema empresarial.

A convivência destes dois sistemas diferentes cria constantemente a superposições de papéis: o papel profissional e o papel familiar. Quando esta convivência intersistêmica funciona bem ela pode ser uma mola propulsora do sucesso da organização, mas quando à confusão dos papéis se somam às dinâmicas familiares, isto traz efeitos indesejáveis para a organização.

Além disto a família-empresa passará inexoravelmente por momentos cruciais à sua sobrevivência. Um dos mais decisivos é a transição da liderança da empresa, ou seja, quando se deve substituir o pai como CEO (chief executive officer). Este talvez seja o maior de todos os riscos de uma empresa familiar.

Esta é uma convivência intersistêmica diferente do que ocorre numa empresa não familiar.

Não é simples e muito menos fácil para estas famílias e para suas empresas se questionarem e administrarem estas áreas de conflitos potenciais, principalmente quando crises de mercado ameaçam a rentabilidade da empresa ou quando surgem tensões no interior do sistema familiar.

Por mais que o CEO seja profissionalmente preparado, ele faz parte do sistema e não conseguirá encontrar saídas. Isto é necessário porque normalmente um sistema não consegue se automodificar pela ação de um dos seus elementos. Uma vez estabelecido um padrão de funcionamento do sistema ele só se modificará por estímulo externo.

Vou usar uma metáfora para justificar o que estou dizendo.

Imagine uma pessoa que está tendo um pesadelo. Ela pode fazer muitas coisas no seu sonho: correr, esconder, lutar, gritar, saltar de um precipício, etc., mas nenhuma modificação de qualquer um destes comportamentos, passando por exemplo de correr a lutar, poria fim ao pesadelo. O único modo de sair de um sonho implica na mudança do sistema do sonho para o sistema de vigília (acordar). O sistema de vigília (estar acordado) não faz parte do sonho, mas é uma mudança para um estado completamente diferente.

Este é o motivo de porquê um CEO de uma empresa familiar, que começa a perceber riscos em seu percurso, deve buscar uma ajuda especializada que esteja fora deste específico sistema família/empresa.

Como reduzir então os riscos de que certos conflitos familiares-empresariais evoluam para desentendimentos desestabilizadores? Isto requer uma ajuda externa que não esteja comprometida pelo envolvimento emocional das relações familiares-empresariais. Daí passamos para a segunda pergunta: por que as “consultorias” já disponíveis não conseguem reverter este quadro estático mundial?

O problema que vemos em todo o mundo é que existe uma tendência a se buscar consultorias com conhecimento mais direcionado para a área empresarial. Algumas delas (não muitas) possuem até uma certa sensibilidade para aspectos psicológicos, mas isto não é suficiente.

A ajuda só consegue ser eficaz se a consultoria possuir duas especializações que se completam. A primeira é o suporte psicológico à família empresária e o segundo é a orientação e suporte empresarial através de consultorias especializadas.

Einstein já assinalava esta interligação dos problemas:

Um erro comum é imaginar que podemos resolver “todos” os problemas dividindo-os em partes e observando o que está falhando. Isto pode nos distanciar das relações entre as partes onde pode residir a real causa ou fatores que contribuem para o problema. Um raciocínio convencional (reducionista) é reduzir o problema a “isto” ou “aquilo”, enquanto o pensamento sistêmico define “isto e aquilo”.

O suporte psicológico à família empresária normalmente não é um processo longo, mas tem como principais objetivos identificar as dinâmicas familiares presentes, o auxílio à correta identificação dos papéis familiares e profissionais e propostas possíveis e necessárias.

Como são conhecimentos muito específicos e complexos, as sessões de terapia são conduzidas por uma terapeuta de casal/família com um co-terapeuta com especialização em gestão empresarial e com uma base de conhecimentos em psicologia. Desta forma, como disse Einstein evita-se o “isto” ou “aquilo” e trabalha-se com o “isto e aquilo”.

É importante deixar claro que numa sessão de terapia de uma família empresarial o objetivo é identificar e clarear que dinâmicas estão influenciando reciprocamente o sistema familiar-empresarial. A terapia dos componentes familiares de uma empresa familiar não entra nos aspectos técnicos administrativos, que devem ser orientados por uma consultoria específica, mas a presença do co-terapeuta ajuda a clarear alguns valores e relações específicos do mundo empresarial. Este clareamento integrado não separa “isto” “daquilo”, mas ajuda na identificação dos problemas e nos encaminhamentos que se deve dar.

Eventualmente este processo pode ser seguido por uma orientação para um suporte psicológico individual (se for o caso) e/ou uma assessoria empresarial que seja adequada às características daquela empresa.

Esta é forma como vejo o trabalho com as empresas familiares, devendo ser focada em dois pontos distintos, mas associados em íntimo envolvimento entre eles:

  1. Consultoria sobre os aspectos práticos de gestão, de mercado, de configuração administrativa, de gestão financeira e de divulgação além dos recursos humanos. São áreas intimamente ligadas à estrutura da empresa.
  2. Dinâmica da relação entre os sócios. Que que fatores psicológicos, dinâmicas pessoais entre os familiares/sócios estão sendo acionadas para dirigir esta empresa. Muitas vezes a empresa tem toda parte administrativa adequada, mas os sócios entram com posturas nas decisões e na gestão que levam a empresa à ter problemas.

Um exemplo disto: Um casal de empresários, que por suas características impulsivas tomam decisões importantes antes de uma avaliação adequada e não assumem limitações e responsabilidades quando algo não deu certo. Um reconhece isto no outro, mas por receio de “magoar” não questiona e interrompe um ciclo de projetos malsucedidos.

Entendo, portanto, que este trabalho seja o de diagnosticar tanto o aspecto administrativo como o relacional entre os membros familiares envolvidos.

 

[1] Ciclo de vida da empresa familiar, Exame.com, http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/blog-do-management/2013/11/06/ciclo-de-vida-da-empresa-familiar/

Anúncios

Divórcio após 50 anos – Entrevista à revista Absoluta de Campinas (SP)

07/09/2016

Esta reportagem saiu na edição 120 da Revista Absoluta da cidade de Campinas (SP) e faz  algumas considerações sobre as separações após 50 anos.

O site da Absoluta é: http://www.absoluta.com.br/ e nele se pode acessar a revista clicando sobre ela no site ou diretamente: http://www.absoluta.com.br/revistas/absoluta/120/

A entrevista está a seguir:

revista-absoluta-no-120-1revista-absoluta-no-120-2revista-absoluta-no-120-3revista-absoluta-no-120-4


Workshop: Técnicas do Psicodrama na Terapia de Casal e Família

07/09/2016

workshop-2


GRUPO DE ESTUDOS DA ANÁLISE PSICODRAMÁTICA

08/11/2015

Símbolo.png

Grupo de Estudos da Análise Psicodramática

Caros colegas

Em fevereiro de 2017 iniciaremos um novo grupo de estudos sobre a teoria e prática de atendimento clínico.

Este grupo de estudos destina-se aos profissionais da área de humanas (médicos, psicólogos, alunos de medicina e psicologia e interessados).

Este grupo de estudos é de Introdução a Análise Psicodramática é mais voltado à atividade clínica no atendimento Individual, de Família e Casal.

A Análise Psicodramática é uma teoria desenvolvida por Victor R.C.S. Dias a partir de algumas técnicas e conceitos da Teoria Psicodramática e sua interligação com a Neurociência. É uma teoria que sistematiza e clareia vários conceitos teóricos e práticos que são eficientes e úteis na compreensão e prática de um processo terapêutico.

Os 10 encontros deste grupo serão aos sábados nos horários das 9 às 12 e das 14 às 17 horas.

Na primeira parte do dia (manhã) será um estudo da teoria e na parte da tarde, supervisão de clientes com fundamentação teórica das dinâmicas apresentadas, prática das técnicas da Análise Psicodramática e desenvolvimento do papel do terapeuta.

Quem tiver interesse, favor enviar nome, formação e endereço para o e-mail maria.lucia.coelho@terra.com.br.

 Programa do curso de introdução à Análise Psicodramática –> As datas serão informadas em Novembro próximo

Duração: 10 (dez) etapas de 6 horas, aos sábados das 9:00 às 12:00 e das 14:00 às 17:00 horas.

1ª Etapa –  fevereiro

Parte Teórica

  • Histórico do Psicodrama
  • Teoria da Programação Cenestésica

Parte Prática

  •  Contexto dramático, montagem de cena, tomada de papel e entrevista dos Personagens.
  • Supervisão

2ª Etapa – março

Parte Teórica

  • Formação dos Modelos Ingeridor e Defecador

Parte Prática

  • Entrevista de Personagem
  • Técnica do Psicodrama
  • Espelho
  • Supervisão

3ª Etapa – abril

Parte Teórica

  • Formação do Modelo de Urinador
  • Narcisismo

Parte Prática

  • Técnicas de Espelhos e Cenas de Descarga
  • Supervisão

4ª Etapa – maio

Parte Teórica

  • Fechamento da formação da Fase Cenestésica
  • Modelos de Ingeridor, Defecador e Urinador
  • Áreas corpo, ambiente e mente.
  • Fase Psicológica
  • Vínculo compensatório.

Parte Prática

  • Treino de Atendimento e Técnicas de Espelho e Cena de descarga
  • Supervisão

5ª Etapa – junho

Parte Teórica

  • Fase Psicológica
  • Desenvolvimento do Psiquismo: Conceito de Identidade

Parte Prática

  • Átomo Familiar e Átomo de Crise

6ª Etapa – julho

Parte Teórica

  • Discurso do Ingeridor
  • Psicopatologia do Ingeridor
  • Defesas Conversiva, histéricas, fóbica, contra fóbica e psicopática.

Parte Prática

  • Entrevista Inicial
  • Ancoragem e Clima Terapêutico

7ª Etapa – agosto

Parte Teórica

  • Psicopatologia do Defecador
  • Discurso do Defecador
  • Defesa de Ideia Depressiva e Atuação

Parte Prática

  • Supervisão
  • Treino de Atendimento

8ª Etapa – setembro

Parte Teórica

  • Psicopatologia do Urinador
  • Discurso do Urinador
  • Defesas de Ideias Obsessivas e Rituais Compulsivos

Parte Prática

  • Supervisão

9ª Etapa – outubro

  • Parte Teórica
  • A Análise Psicodramática na Terapia de Casal e Família

Parte Prática

  • Supervisão e Técnicas de Atendimento

10ª Etapa – novembro

Parte Teórica

  • Fases da Terapia
  • Vínculos Compensatórios
  • Divisões Internas

Parte Prática

  • Revisão Teórica e Supervisão

 

NUCLEO DE ESTUDOS EM PSICOLOGIA

Professora: Maria Lucia Mendonça Coelho

Preço: 10 parcelas R$ 300,00

Horário de aulas:

Sábado de manhã– das 09:00 às 12:00

Sábado à tarde – das 14:00 às 17:00

Local: Rua Paulo Cesar Fidelis 39, sala 516

Inscrição: 100,00 reais a ser descontado na 1ª etapa.

Fone: (19) 98204 0455

E-mail: maria.lucia.coelho@terra.com.br

 

Um momento do Grupo de Estudos 2015

WmDev_635825142255442313


A TÉCNICA DA ESCULTURA NA TERAPIA DE CASAL

31/08/2014

Texto elaborado e organizado por Maria Lucia Mendonça Coelho

 Uma técnica interessante que dá ao protagonista (cliente) de um processo terapêutico a possibilidade de tornar perceptível, de maneira física, aquilo que ele sente dentro de si, é o que em Psicodrama se denomina concretização. Esta exteriorização de sentimentos coloca o protagonista em condições de tratar com eles em vez de apenas senti-los.

A concretização é possível porque o indivíduo, não dispondo somente das palavras para expressar o seu mundo interno, pode construir uma situação que “mostre” a sua vivência, utilizando o próprio corpo, o espaço em torno, os objetos e as relações com as pessoas presentes.

Freqüentemente é a conflituosidade psíquica que é concretizada. Desta maneira o espaço físico pode ser dividido em duas partes, cada uma representando uma parte do conflito. O protagonista pode se deslocar de uma parte para a outra, representando (desempenhando um papel ) ora um pólo, ora o outro, fazendo solilóquios, interrogando a outra parte, fornecendo respostas. Desta maneira ele dá integração e evidencia aquilo que dentro dele era consciente apenas parcialmente e que, de qualquer maneira, lhe parecia confuso.

A concretização tem uma clara possibilidade de aplicação quando o protagonista verbaliza metaforicamente a sua vivência. Ele pode dizer: “sinto que um muro me separa dos meus pais”. A concretização disto poderia se realizar, por exemplo, criando uma barreira física entre o protagonista (cliente) e os egos-auxiliares (co- terapeuta) que fazem o papel dos pais. Esta barreira poderia ser feita com qualquer coisa física que se opusesse objetivamente ao contato do protagonista com os pais. Uma inversão de papel do protagonista com a barreira física e uma “entrevista” a este último, poderia contribuir a aumentar a clareza sobre o que está acontecendo.

Na técnica da concretização também fazemos o uso da postura, isto é, de uma colocação particular do corpo no espaço, e que expresse de maneira plástica o sentimento do protagonista. Ela pode ser realizada pelo corpo do protagonista (cliente), por outro membro da família, pelo cônjuge ou pelo corpo do ego-auxiliar (co-terapeuta). No primeiro caso o protagonista é convidado a expressar o seu estado de espírito não com palavras (solilóquio, entrevista, etc), mas assumindo uma postura. Esta concretização torna evidente a vivência do protagonista (cliente) seja a quem conduz o trabalho (o terapeuta, ou outro profissional) como a quem assiste, como no caso de uma família ou de um casal.

Denomina-se escultura à concretização expressa, através do corpo dos egos-auxiliares, ao modo de perceber do protagonista. Este tipo de concretização é chamado de escultura por analogia ao trabalho do escultor, o qual deve dar forma e expressão ao material sobre o qual intervém.

Podemos também definir escultura como uma “expressão plástica simbólica da estrutura vincular de um sistema, obtida mediante a instrumentalização dos corpos de tal sistema – Lopez Barbera E.

Finalmente podemos acrescentar que a escultura pode também ter vida, no sentido que pode fazer pequenos movimentos repetitivos e caracterizadores, assim como fazem as pequenas estátuas dos presépios móveis. Pode acontecer então que o pai (marido) levante e abaixe de modo ritmado o braço com tom de ameaça, que a mãe (esposa) esteja alternadamente de frente ou de costas para o protagonista (cônjuge), expressando desta maneira a sua ambivalência.

Às vezes a escultura pronuncia uma breve frase – sempre com uma cadência repetitiva coordenada com o movimento – e que serve para completar o significado geral que o grupo escultural deve expressar.

A Escultura de casal, de família ou de grupo é uma das técnicas não verbais mais usadas recentemente.

Permite a expressão de idéias e de emoções através da utilização do corpo e do movimento. Propõe-se recriar simbolicamente, no espaço, os estados de espíritos e relações emocionais, através de uma representação tridimensional das relações entre os membros da família.

“A Escultura pode ser definida como a representação simbólica de um sistema, que utiliza os aspectos comuns de todos os sistemas – espaço, tempo, energia; desta forma relações, sentimentos, mudanças podem ser representados e experimentados simultaneamente”. [1]

Explicar em que consiste uma Escultura é tão difícil como descrever uma obra de escultura a alguém que não a possa observar diretamente.

Esculpir é uma modalidade criativa e não verbal, em que o escultor pode representar as suas próprias relações com os membros do seu grupo familiar, assim como as relações entre os outros membros em um momento histórico e num dado contexto.

A técnica da escultura oferece a possibilidade de evitar racionalizações, resistências e rótulos. Através da escultura o casal fica privado dos seus canais verbais mais significativos. Com efeito, os conflitos são representados duma forma coreográfica, i.é duma forma concreta e situada numa esfera visual, sensorial e simbólica, que dá aos participantes uma oportunidade de comunicarem emoções uns aos outros.

O casal começa a pensar-se a si próprio como unidade sistêmica, em que cada um é uma parte integrante daquela unidade e que influencia todas as outras partes.

É importante que compreendam e sintam que são eles que ativamente criam o seu próprio sistema, cuja vida e regras dependem das decisões de cada um no confronto com o outro. (Maurizio Andolfi ).

Fazendo a escultura, o casal poderá perceber as regras da relação de uma maneira mais clara para ambos. O escultor poderá receber nova informação sobre a forma como seu comportamento influencia de fato o outro, e vice versa.

A representação física e espacial de estados emocionais até aí desconhecidos, ou pelo menos vagos e confusos poderá então ser utilizada para aprender modelos de comunicação mais convenientes a ambos.

Vejamos também este artigo abaixo, traduzido por Juares Soares sobre uma aplicação da escultura à terapia de família na visão de Robert M. Simon.[2]

Conforme vocês forem lendo este artigo, observarão algumas considerações sobre o que foi dito pelo autor e que estarão em destaque como notas de rodapés. Estas notas são reflexões minhas e algumas vezes diferentes do que foi dito no artigo.

 

Esculpindo a Família

Em uma escultura familiar, os membros de uma família criam uma representação física de seus relacionamentos, em um determinado momento, através de um arranjo espacial dos seus corpos. As técnicas, o embasamento teórico e as aplicações deste método serão descritas a seguir.

A escultura familiar é um arranjo de pessoas ou objetos que expressa seu relacionamento familiar em um ponto do tempo.  O nome pode enganar, uma vez que a representação pode incluir sons ou movimentos que podem ser estranhos, exceto se utilizarmos as mais avançadas definições de escultura. Quadros vivos poderia ser um nome mais preciso, devido a seus tons teatrais, mas de qualquer modo, o nome “escultura familiar” parece ter se estabelecido no meio profissional.. Nesta forma de um “teatro de bolso”, a primeira experiência é “não verbal”, e seu impacto é derivado dos estímulos sinestésicos, táteis e visuais. A poderosa resposta emocional a estes estímulos é bem conhecida na terapia de família. Como Acckerman disse: “Os orifícios do corpo, a pele, a atividade dos órgãos internos e os sistemas musculares podem ser concebidos não apenas como zonas de experiência de prazer ou evitação da dor, mas também como agentes somáticos para o intercâmbio de energias entre o ambiente interno e externo; e ainda como mensagens não verbais para outras pessoas significativas, mostrando o estado afetivo dominante, estados de necessidade, prazer ou apreensão diante do perigo”.

De certo modo, o terapeuta já vê uma escultura quando a família que chega e se arranja espacialmente diante dele.  Muito do que pensamos ou sabemos foi influenciado pelos arranjos físicos e outras pistas não verbais. Esta percepção acentua-se quando a família está no lar. Como afirmou Moreno em 1923, “O teatro terapêutico é o lar privado. Os atores do teatro terapêutico são os ocupantes do lar”. Na literatura mais recente, Speck compara a família em sua casa a atores, e observa que, à medida que elementos dramáticos se mostram “a intensificação dos sentimentos pode ter um efeito terapêutico, pelo re-fortalecimento dos aspectos emocionais das situações, produzindo uma catarse”.

A relação da escultura familiar com o Psicodrama é óbvia, mas problemática. Como ferramentas terapêuticas, há diferenças marcantes.  O Psicodrama usa situações concretas construídas a partir da vida, e as transporta para uma narrativa dramática e para um comentário do grupo terapêutico. Em contraste, a escultura familiar é um ícone, uma abstração simbólica de um momento do tempo. Outras diferenças poderiam ser citadas, mas as comparações logo faltariam, por que o Psicodrama é um modo de terapia bem desenvolvido em sua própria legitimidade, enquanto que para a terapia familiar é até o momento um acessório[3] para a terapia familiar, que pode funcionar intacta sem ela. De qualquer modo, não se pode ficar muito distante do Psicodrama ao se considerar a escultura familiar. Ambos exploram as forças dramáticas e para-verbais da natureza humana, e portando tem pontos de congruência.

 

Método

A escultura pode ser apropriada em um dado momento do diagnóstico ou da terapia. Precisa-se ter ao menos três ou quatro pessoas presentes, mais alguns objetos ou móveis que possam ser usados como personagens dramáticos adicionais. Famílias numerosas obviamente entram no processo com mais facilidade que casais[4].  A decisão de fazer uma escultura pode ser tomada para cortar[5] a excessiva verbalização, para envolver os membros da família com “língua-presa, ou para esclarecer material dinâmico. Tanto a família do presente quanto a do passado podem ser representadas e qualquer número de membros da família  extensa podem ser introduzidos no quadro, usando  pessoas ou objetos disponíveis.

Incluindo uma peça de mobília: A jovem esposa estava tão ansiosa e ainda confusa ao descrever sua família de origem que o terapeuta a convidou a fazer uma escultura ao invés de falar. Ela escalou o terapeuta como seu pai, e o co-terapeuta como sua mãe, e seu marido como sua avó.

Não sobrou ninguém disponível para representar seu jovem irmão deficiente. Quando convidada a usar também a mobília da sala, ela escolheu uma mesa de café redonda como seu irmão. A família foi então arranjada em um forte e entrelaçado círculo ao redor da mesa, representando a preocupação ansiosa que sempre esteve focalizada sobre o rapaz.

Designar o escultor é uma questão de habilidade terapêutica[6]. Quando se conhece a família, freqüentemente se reconhece um artista natural, ou poeta, ou fofoqueiro, juntamente com os papéis familiares mais tradicionalmente discutidos na literatura.

É claro, nem todo mundo é uma Marta Graham, quando vai representar plasticamente dos temas inconscientes, mas o talento natural de nossos clientes é freqüentemente uma fonte de agradáveis surpresas. Adolescentes freqüentemente se mostram excelentes escultores, devido a seu “insight” sobre as verdades familiares, e a seu prazer natural em manipular os mais velhos. Crianças na fase da latência naturalmente são bons escultores, embora sua produção possa ser de alguma forma idealizada e estereotipada. É mais difícil para uma pequena criança ou para os pais iniciar a escultura, os primeiros por falta de compreensão e os últimos devido à sua ansiedade a cerca de sua dignidade. Entretanto, uma vez quebrado o gelo, eles podem se mostrar escultores com muita percepção, e uma competição cheia de vida pode desenvolver-se entre os membros da família, cada um querendo demonstrar seu ponto de vista.

Dois pontos de vista: Esta era uma família em que três crianças tinham que se arranjar sozinhas quando os pais saiam à noite. Havia um tumulto considerável nestes momentos, e as duas crianças mais velhas tinham distúrbio de sono. Como o pai era um artista, foi convidado a ser o primeiro escultor. Ele arranjou a família como se fosse para uma fotografia em grupo, com os pais carinhosamente envolvendo as crianças. Ele havia sofrido grandes privações em sua infância e, sua escultura correspondia a seu ideal de família.

A esposa então pediu a vez. Ela se considerava mais realista e estava interessada em assuntos ligados ao poder. Ela colocou as crianças mais velhas sobre seus joelhos, com a mais nova de pé, ereta, entre eles. Isto, ela disse, representava a rivalidade entre os mais velhos, para mostrar quem poderia ser um “pai” melhor para a pequena irmã quando os pais saíam. Ela moveu a si mesma e ao esposo para os lados[7].

O exemplo acima ilustrou como a escultura funciona. Quando a família atual é esculpida, os membros da família habitualmente representam a si mesmos: para a família de origem, o escultor escala os papéis, o que em si pode possibilitar algumas observações interessantes.

Como a escultura em si não se presta para uma narrativa, a orientação temporal deve ser específica, por exemplo: “é assim que era quando eu tinha dez anos de idade”[8].

O escultor é convidado a explicar o que está acontecendo (em alguns casos, pode haver provocação). Quando o impulso artístico falta, o terapeuta pode precisar encorajar o uso do movimento e das atitudes corporais. Uma atmosfera mais livre pode ser intensificada se o terapeuta oferece-se para participar; e também se fica estipulado que qualquer um que participar deverá ser à partir do lugar onde estiver sentado conduzido. Discussão pode vir em seguida, e habitualmente acontece. Um tempo suficiente deve ser reservado para isto. Um nível interessante de discussão é atingido quando as pessoas são colocadas no papel dos outros. “Como nas técnicas psicodramáticas tais como “espelho”, “duplo” e solilóquio”, as emoções mobilizadas nas pessoas que representam podem trazer luzes úteis para os protagonistas originais.

 

A participação do terapeuta: O filho mais velho estava sempre muito ocupado para comparecer a uma entrevista. As esculturas feitas por dois irmãos o colocaram em uma posição periférica na qual todos estavam de costas para ele. O terapeuta estava no lugar do irmão ausente, e comentou sobre um sentimento de solidão e isolamento que sentiu. Pela primeira vez, a família considerou a hipótese de que também estivesse excluindo aquele irmão.

 

Metodologia e Técnica

Na terapia de casal, em que o ponto nodal é o conflito sobre quem define as regras da relação, o terapeuta pode convidar os cônjuges a criar uma escultura para representar o conflito ou como eles se relacionam.

Podemos utilizar as seguintes consignas:

— Hoje iremos trabalhar de um modo diferente. Vamos olhar, conversar e refletir sobre a relação de vocês utilizando uma outra linguagem. Uma linguagem diferente da linguagem verbal.

—Vamos usar uma técnica que se chama Escultura. Quando observamos uma escultura percebemos e sentimos algumas coisas que, podem ser ou não aquilo que, quem a esculpiu, quis transmitir.

—Vocês vão fazer uma escultura com os seus corpos e depois vamos conversar sobre isto.

—Imaginem como poderia ser representada a relação de vocês hoje. Uma escultura feita com os seus corpos, como se fossem barro, argila, e que possa mostrar, dizer, representar vocês dois na relação de casal.

—Imaginem primeiro…. Sem dizer nada.

—Entenderam o que vamos fazer?

Observação: Se não entenderam, dar alguns exemplos, mas pedir para que não se preocupem muito em acertar, pois a medida que irão fazendo a escultura a criatividade ajudará a expressar o que querem.

Como falei acima é difícil explicar o que é a técnica da escultura e o que nos ajuda é experimentar, vivenciar para podermos falar e refletir sobre ela.

Se entenderem, perguntar quem gostaria de começar. Dar mais algumas consignas se necessário.

— Coloque-se na posição que você se vê na relação, dando a distância em que você se vê com teu parceiro/a, com a postura corporal, expressão do rosto, posição da mão, pé e cabeça esculpida de modo a representar a dinâmica de vocês como casal.

—Procure não usar o verbal. Vai moldando com a mão.

 

Depois de concluída a escultura:

—Fiquem nesta posição. O que estão sentindo? Qual a emoção que prevalece, ou que é mais forte? Vejam se associam a algo? Não falem nada. Respirem profundamente. Como sentem o corpo?

O terapeuta fica de fora, observando, dirigindo o trabalho, dando mais alguns esclarecimentos, se forem necessários. Deixa o casal por um determinado tempo e dá outra consigna.

—- Agora, eu vou entrar no teu lugar (de quem fez a escultura) e você fica de fora observando e veja o que te ocorre, o que te chama atenção. (Dê um tempo).

—- Agora você (que está de fora) entre no lugar do seu parceiro/a, na mesma posição que você o/a colocou. Sinta e registre as sensações, emoções e pensamentos. O/A parceiro/a que está de fora observa e registra as mesmas coisas.

 

Deixa um tempo.

—-Agora fiquem nas posições invertidas do início.

Depois coloco os dois para observarem, um por vez.

A partir daí, repito o mesmo procedimento com o outro cônjuge.

Depois de concluída esta etapa, posso passar para uma conversa com o casal sobre a experiência, explorando o que sentiram, se concordam com a escultura do outro, se puderam refletir sobre algo novo ou conhecido que acham importante, etc…

Podemos continuar com a técnica, caso achem adequado e o tempo permita com algumas outras variações.

Variações: Pedir que voltem a fazer a escultura e que dêem movimento e/ou voz a ela, dando a seguinte consigna:

—Imagine que esta escultura tem um movimento, faz um movimento, vai fazer um movimento no futuro, fale algo, tenha um som…. Como seria?

Conversar sobre isto.

Podemos usar inúmeras consignas, dependendo do que estamos trabalhando com o casal, da fase da terapia e da disponibilidade deles participarem da dinâmica.

Muitas vezes podemos pedir que façam a escultura do conflito que fez com que viessem para a terapia ou que façam uma projeção no tempo de como estarão daqui a alguns anos, ou como faria a escultura que pudesse representar a relação dos genitores, ou fazer uma escultura de como gostariam que se relacionassem.

Como podemos ver, temos uma riqueza de possibilidades no uso desta técnica e vai depender da criatividade do terapeuta e clientes, da disponibilidade dos clientes aceitarem fazer a representação e da avaliação do momento da terapia e repercussão que está tendo no casal.

Podemos trabalhar somente com o casal, usar almofadas ou objetos para representar um dos pares ou convidar um co-terapeuta para participar desta sessão para que fique nos lugares que designarmos.

È uma técnica muito rica, mas também muito forte e pode causar um impacto grande em um casal. Cabe ao terapeuta avaliar se deve continuar com a técnica ou interromper, caso ache que não está sendo de utilidade naquele momento.

Esta seqüência citada acima é apenas uma das maneiras que podemos trabalhar com esta técnica da escultura, podendo ser utilizada com outras variações segundo a criatividade de quem ou com quem a utiliza.

Pode ser trabalhada em apenas uma sessão ou em várias sessões dependendo da dinâmica que surge.

Podemos aprofundar um tema importante para aquele momento do casal deste que não exponha nenhum dos parceiros inadequadamente.

Concluindo, este é mais um recurso que podemos utilizar no trabalho com casais que acrescenta às narrativas que trazem outros olhares que possam auxiliar para uma melhor negociação e propostas de mudanças.

[1] Maurizio Andolfi, A Terapia Familiar, Editora Vega- pgs 125-137 .

[2] Robert M. Simon, MD, Diretor do Departamento de ambulatórios, Divisão Westchester do Hospital New York, White Plains, NY

[3] Também para o Psicodrama esta técnica é apenas um instrumento usado no processo de terapia e não só para “situações concretas” construídas a partir da vida, mas sobretudo quando sensações sentidas não são muito claras ou só conseguem ser expressadas através de metáforas.

 

[4] Nestes casos o Psicodrama se utiliza de egos-auxiliares ou objetos.

[5] Provavelmente a palavra “cortar” deva ser interpretada como a importância de se concretizar um sentimento que não consegue ser expresso com clareza e objetivamente.

[6] A expressão “designar” está adequada se ainda não se definiu um protagonista no tema da sessão e ai, o terapeuta pode escolher quem ele acha ser o melhor escultor para uma concretização. Conceitualmente o escultor terá que ser o protagonista, pois só ele conseguirá fazer uma escultura – com a ajuda do diretor (terapeuta) – que represente aquilo que só ele sente e nem sempre de uma maneira clara.

[7] Este é um exemplo onde a conflituosidade psíquica foi concretizada através de esculturas.

[8] Mas uma seqüência de esculturas (recorrentes) pode expressar materialmente a evolução da história através das narrativas durante o processo terapêutico.


APRENDENDO COM O ROLE PLAYING

26/03/2010

Quando iniciei minhas atividades como supervisora do Estagio “Abordagem Sistêmica no atendimento de Casais e Família” da UNIP-Campinas, eu propus aos alunos uma atividade que denomino Ponte.

Uma Ponte é uma breve conexão de uma aula com a outra. Sempre é escolhido um aluno responsável pela ponte e este aluno pode fazer esta conexão como quiser.

Eles vão usar de sua criatividade para trazer para os colegas o que foi importante e abordado na aula anterior.

Assim sendo cada aluno procura usar de sua criatividade para compartilhar com os colegas o que ele internalizou da aula passada, para que cada aula seja realizada não como algo desconectado com o que se iniciou construir anteriormente.

Acho interessante compartilhar uma ponte realizada por aluno de uma das turmas deste estágio.

Deixo para vocês os comentários que este trabalho merece.

Maria Lúcia

APRENDENDO COM O ROLE PLAYING

Depois de quatro anos estudando teorias, conhecemos mais um pouco o que é a psicologia.

Compreender o ser humano é de extensa complexidade, mas me responde uma coisa: é satisfatório ou não é, estudar a subjetividade?

Esta ciência nos possibilita ampliarmos nossa visão, e acho que deveríamos ter isto como missão, pois depois de formados será uma profissão.

Se olharmos para trás o trajeto nos mostrará o quanto é necessário viver a estudar.

Trabalhar em psicologia requer escolher uma abordagem, pois talvez desta forma façamos menos bobagens.

No decorrer destes anos, muitas delas conhecemos, mas vamos ser sensatos, será que de fato aprendemos?

Desconstruir o saber talvez seja uma opção, quem sabe desta forma não ampliamos nossa compreensão?

Discutir teoria já era uma polêmica e ainda neste ano, conhecemos a sistêmica.

Para esse grupo começar, tivemos que batalhar, pois o número era pouco para se formar. A partir deste momento começamos a convidar: pessoas com perfil de participar, desta forma conseguimos realmente decolar.

Conhecemos a sistêmica e paradigmas foram quebrados, pois um molde diferente foi nos apresentado.

O caos se instaurou logo quando começou, mas assim aprendemos que o grupo se moldou.

Precisamos estudar e assim se integrar, talvez desta forma só tenhamos a ganhar.

O formato da terapia neste sistema, não vamos esconder: trazia um dilema: passamos a princípio a eficácia indagar, talvez pelo jeito de se trabalhar.

Precisávamos desta forma ao fenômeno ter acesso, para então compreender este novo processo.

Na última semana trabalhamos o role playing, uma técnica diferente de se aprender, pois com fenômeno estudado você passa a conviver.

Com esta vivência surgem sensações talvez desconhecidas, mas que nas sessões podem ser repetidas.

   Passamos a explorar a equipe reflexiva, e quanto à experiência: foi muito construtiva.

   Para os próximos encontros podemos repetir, caso os pacientes continuem a inexistir e quem sabe poderemos um saber construir.

Maviael Filipe L.V.Lopes – aluno da turma matutina do estágio em Terapia de casal e família