GRUPO DE ESTUDOS DA ANÁLISE PSICODRAMÁTICA

08/11/2015

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Grupo de Estudos da Análise Psicodramática

Caros colegas

Em fevereiro de 2017 iniciaremos um novo grupo de estudos sobre a teoria e prática de atendimento clínico.

Este grupo de estudos destina-se aos profissionais da área de humanas (médicos, psicólogos, alunos de medicina e psicologia e interessados).

Este grupo de estudos é de Introdução a Análise Psicodramática é mais voltado à atividade clínica no atendimento Individual, de Família e Casal.

A Análise Psicodramática é uma teoria desenvolvida por Victor R.C.S. Dias a partir de algumas técnicas e conceitos da Teoria Psicodramática e sua interligação com a Neurociência. É uma teoria que sistematiza e clareia vários conceitos teóricos e práticos que são eficientes e úteis na compreensão e prática de um processo terapêutico.

Os 10 encontros deste grupo serão aos sábados nos horários das 9 às 12 e das 14 às 17 horas.

Na primeira parte do dia (manhã) será um estudo da teoria e na parte da tarde, supervisão de clientes com fundamentação teórica das dinâmicas apresentadas, prática das técnicas da Análise Psicodramática e desenvolvimento do papel do terapeuta.

Quem tiver interesse, favor enviar nome, formação e endereço para o e-mail maria.lucia.coelho@terra.com.br.

 Programa do curso de introdução à Análise Psicodramática –> As datas serão informadas em Novembro próximo

Duração: 10 (dez) etapas de 6 horas, aos sábados das 9:00 às 12:00 e das 14:00 às 17:00 horas.

1ª Etapa –  fevereiro

Parte Teórica

  • Histórico do Psicodrama
  • Teoria da Programação Cenestésica

Parte Prática

  •  Contexto dramático, montagem de cena, tomada de papel e entrevista dos Personagens.
  • Supervisão

2ª Etapa – março

Parte Teórica

  • Formação dos Modelos Ingeridor e Defecador

Parte Prática

  • Entrevista de Personagem
  • Técnica do Psicodrama
  • Espelho
  • Supervisão

3ª Etapa – abril

Parte Teórica

  • Formação do Modelo de Urinador
  • Narcisismo

Parte Prática

  • Técnicas de Espelhos e Cenas de Descarga
  • Supervisão

4ª Etapa – maio

Parte Teórica

  • Fechamento da formação da Fase Cenestésica
  • Modelos de Ingeridor, Defecador e Urinador
  • Áreas corpo, ambiente e mente.
  • Fase Psicológica
  • Vínculo compensatório.

Parte Prática

  • Treino de Atendimento e Técnicas de Espelho e Cena de descarga
  • Supervisão

5ª Etapa – junho

Parte Teórica

  • Fase Psicológica
  • Desenvolvimento do Psiquismo: Conceito de Identidade

Parte Prática

  • Átomo Familiar e Átomo de Crise

6ª Etapa – julho

Parte Teórica

  • Discurso do Ingeridor
  • Psicopatologia do Ingeridor
  • Defesas Conversiva, histéricas, fóbica, contra fóbica e psicopática.

Parte Prática

  • Entrevista Inicial
  • Ancoragem e Clima Terapêutico

7ª Etapa – agosto

Parte Teórica

  • Psicopatologia do Defecador
  • Discurso do Defecador
  • Defesa de Ideia Depressiva e Atuação

Parte Prática

  • Supervisão
  • Treino de Atendimento

8ª Etapa – setembro

Parte Teórica

  • Psicopatologia do Urinador
  • Discurso do Urinador
  • Defesas de Ideias Obsessivas e Rituais Compulsivos

Parte Prática

  • Supervisão

9ª Etapa – outubro

  • Parte Teórica
  • A Análise Psicodramática na Terapia de Casal e Família

Parte Prática

  • Supervisão e Técnicas de Atendimento

10ª Etapa – novembro

Parte Teórica

  • Fases da Terapia
  • Vínculos Compensatórios
  • Divisões Internas

Parte Prática

  • Revisão Teórica e Supervisão

 

NUCLEO DE ESTUDOS EM PSICOLOGIA

Professora: Maria Lucia Mendonça Coelho

Preço: 10 parcelas R$ 300,00

Horário de aulas:

Sábado de manhã– das 09:00 às 12:00

Sábado à tarde – das 14:00 às 17:00

Local: Rua Paulo Cesar Fidelis 39, sala 516

Inscrição: 100,00 reais a ser descontado na 1ª etapa.

Fone: (19) 98204 0455

E-mail: maria.lucia.coelho@terra.com.br

 

Um momento do Grupo de Estudos 2015

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ENFOQUE SISTÊMICO 2

27/02/2010

….de uma família empresária

Maria Lúcia M. Coelho e Sérgio Rodrigues

 Introdução

 

Introdução

Onde adquirimos nossas primeiras experiências do que seja uma vida em uma organização? Acho intuitivo que estas experiências se desenvolvem na nossa vida familiar. É neste convívio que aprendemos as lições e as habilidades de comunicação, de planejamento de tomada de decisão, de administração de conflitos, entre tantas habilidades. Desde nossas primeiras percepções vamos construindo nosso Conceito de Identidade, nossa visão do mundo e nossos mais enraizados paradigmas.

 

O Conceito de Identidade é o produto das vivências de uma pessoa com as vinculações entre os seus climas afetivos internos com as pessoas e conceitos (religiosos, filosóficos, políticos sociais, etc) e que estabelece uma noção de entendimento em relação a si mesma, aos outros e ao próprio mundo. O Conceito de Identidade é como a pessoa acha que é, e como ela acha que os outros são, e vai evoluindo de acordo com a idade e com as vivências que vão ocorrendo na vida desta pessoa. [1]

 

Este sistema familiar onde iniciamos a nos expor ao relacionamento interpessoal e de grupo influenciará o modo como mais tarde regiremos nos cenários organizacionais.

***************

 

A interação entre membros da família que comandam as suas empresas apresenta, muitas vezes, aspectos de influência recíproca. Não somente quem comanda uma empresa familiar transfere seus valores e experiências, através de metas, de interações na organização e de atitudes, mas acaba se vendo submetido ao fluxo reverso.

 

As relações organizacionais entre pais e filhos produzem intensas interações familiares. Os papéis familiares e profissionais de “pais e filhos” são papéis que pertencem a sistemas diferentes – familiar e empresarial – com objetivos que em alguns momentos podem ser conflitantes. Mas eles se misturam, eles se influenciam.

 

São dois sistemas – o familiar e o empresarial – que interagem através de retroalimentações positivas ou negativas. Pais querem o sucesso da empresa que construíram, mas vêem como sua maior responsabilidade o desenvolvimento de filhos que se sintam bem consigo mesmos. Isto faz parte dos valores do Conceito de Identidade de um pai empresário além de muitas vezes verem nos filhos o reflexo de si próprios e de suas realizações.

 

Por outro lado os filhos crescem e percebem a importância da empresa para seus pais e isto pode ser interpretado como o campo ideal para disputar o reconhecimento e a afeição dos pais. Pode servir também para reparar feridas e relações familiares problemáticas…

 

 

Aliás, talvez seja mais fácil competir com familiares mais poderosos na esfera organizacional, onde o desempenho nos negócios passa a ser a medida do sucesso, do que nas atividades domésticas[2].

 

Mas antes acho que devemos resumir alguns conceitos fundamentais sobre a teoria dos sistemas para quem deseja compreender a interação entre estes dois sistemas e suas dinâmicas.

 

No texto Enfoque Sistêmico 1, já fizemos uma introdução à Visão Sistêmica e agora entraremos maneira sintética em alguns conceitos ligados à teoria dos sistemas e que estão sempre presentes quando trabalhamos com famílias e com todas estas dinâmicas envolvidas nas empresas familiares.

 

A teoria dos sistemas tomou corpo nos anos ’50, através de Ludwig von Bertalanffy, Anatol Rapoport, Kenneth Boulding, Margaret Mead, Gregory Bateson e outros. Esta teoria reúne princípios e conceitos teóricos oriundos da filosofia da ciência, da física, da biologia e da engenharia. Hoje encontramos a utilização desta abordagem em quase todas as ciências. É muito usada em sociologia, em teoria organizacional, em economia, em saúde pública e na psicoterapia, particularmente na terapia dos sistemas familiares.

 

Isto mostra a força deste novo enfoque científico de ver a vida, mas por outro lado a popularização do termo “sistema” pode induzir à distorções no sentido de sua utilização.

 

Num linguajar menos técnico o sentido buscado é o da existência de interdependência nas relações. Com isto reforça-se – consciente ou inconscientemente – que a visão do todo contem propriedades que não podemos encontrar nos elementos que os constituem.

 

Uma importante característica dos sistemas é a chamada homeostase, que é um estado buscado por todos os sistemas de maneira a assegurar um estado de estabilidade. É através de dinâmicas de auto-correção e auto-regulação que os sistemas buscam este estado de estabilidade chamado de homeostase.

 

Uma alteração em uma parte do sistema afetará as demais, que por sua vez afetarão as condições iniciais do sistema. Tanto a alteração como a recuperação, são dinâmicas que buscam recuperar o estado de equilíbrio do sistema através daquilo que se denomina retroalimentação (positiva ou negativa respectivamente).

 

Se na sua fase inicial de experimentação a criança “aprendeu” que o desrespeito a um determinado valor da família gerava uma reação muitas vezes autoritária e intolerante, isto fica registrado como uma dinâmica que busca recuperar o “bom funcionamento do sistema” (retroalimentação).

 

Quando esta criança for adulta e se relacionar profissionalmente terá como paradigma o conceito de recuperar a estabilidade do sistema, se um valor do seu Conceito de Identidade tiver sido violado, usando a mesma dinâmica que aprendeu como adequada para obter este objetivo. Foi uma dinâmica de um sistema familiar que se manifestou adequada ou inadequadamente no sistema empresarial.

 

O terapeuta de casal, de família e de família empresária identifica muito bem estas dinâmicas em suas aplicações.

 

No texto Enfoque Sistêmico 1 nós vimos o que caracteriza um sistema relacional humano. Vimos também que os atributos são os seus comportamentos de comunicação. Se um sistema relacional é formado pela interação de seus componentes ele é melhor compreendido quando não falamos de indivíduos, mas de pessoas que se comunicam com outras pessoas.

 

Esta foi a grande contribuição de Bateson para o processo terapêutico de casais e famílias, tirando o foco restritivo da pessoa e privilegiando os padrões gerais de comunicação sobre os desejos e fantasias particulares dos indivíduos. Para ele a comunicação significava formas e regras de interação entre emissor e receptor. Ele considerava a comunicação não apenas em seu conteúdo semântico, mas especificamente em seu aspecto pragmático da relação interpessoal. Posteriormente Paul Watzlacwik e seus colaboradores formalizaram esta teoria no trabalho “Pragmática da Comunicação Humana”.

 

Neste segundo texto destacamos alguns aspectos pragmáticos do processo de comunicação, tanto na sua conceituação como através de pequenos exemplos de sua aplicação, seja no sistema familiar como no empresarial.

 

Acho interessante diferenciar o que estamos destacando como conseqüências comportamentais do processo de comunicação em um sistema relacional.

 

O estudo da comunicação humana pode ser agrupado em 3 áreas: a da sintaxe, a da semântica e a da pragmática.

 

Os aspectos da sintaxe e da semântica são responsáveis pela transmissão da informação. A comunicação vista pela sua capacidade de provocar ou influenciar comportamentos é o objeto de estudo do que foi denominado como aspecto pragmático da comunicação.

 

Finalmente, nunca é demais reforçar que isto é uma síntese e que aos que se interessarem em aplicar estes conceitos é interessante buscar uma formação especializada além do aprofundamento através da leitura de livros que vamos sugerindo.

 


[1] Dias, Victor R.C.S., ANÁLISE PSICODRAMÁTICA – Teoria da Progressão Cenestésica, Editora Agora, 1994, pg 42

[2] Kay K., When a family business is a sickness, Family Business Review, 1996, pgs 347 – 368