CONHECIMENTO E ESTRATÉGIA COMPETITIVA (4)

3. Organização, estrutura, comunidades de prática e redes de prática.

 Acho oportuno não avançar sem compartilharmos alguns conceitos que estão sempre presentes quando o tema é gestão do conhecimento.

 Organização

 Normalmente a expressão “organização” costuma ser entendida como um complexo de recursos pessoais e materiais, baseado num conjunto duradouro de normas e costumes de comportamento, dotada de uma estrutura própria e de um ordenamento próprio, de natureza dinâmica seja pelos fenômenos internos, seja pelas relações externas, e direcionadas a um fim comum.

Esta concepção de organização possui, no entanto, o inconveniente de colocar junto diversas coisas que precisam ser bem definidas e identificadas como diferentes, dentre elas eu destacarei o que é a organização e o que é a estrutura.

Pessoalmente entendo que a conceituação de H.Maturana seja a mais adequada para quem quer se aprofundar neste tema, porque ela associa, com muita propriedade, o conceito de organização com o fator que efetivamente a identifica, ou seja, as relações entre os componentes.

“A organização é a configuração de relações entre os componentes do sistema que, ao ser distinguida pelo observador, define a identidade do sistema, ou seja, define-o como sistema de uma determinada classe”.

Um sistema ecológico, por exemplo, possui não somente uma série de minerais, vegetais e animais que compõem o seu sistema em equilíbrio. Se alterarmos a configuração das relações entre estes elementos, o sistema se altera e se transforma em um outro sistema. É uma determinada configuração destas relações entre minerais, vegetais e animais que caracteriza aquele sistema.

Por isto se diz que a organização de um sistema é necessariamente invariante e não é possível haver mudança de organização e o sistema permanecer com a mesma identidade. Se alguém alterar, por exemplo, a relação entre predador e presa deste sistema ecológico que citamos, ele passa a ser um outro. Uma alteração mais drástica pode destruir de tal maneira esta configuração de relações que, a vegetação e os bichos que restaram ali, não podem mais ser classificados como pertencentes à classe dos sistemas ecológicos em equilíbrio.

Estrutura

Já a estrutura, sempre usando a concepção de H.Maturana, é a configuração de relações concretas que caracteriza aquele sistema como um caso particular daquela classe, com aquela identidade ou organização. A estrutura do sistema pode alterar-se sem que se perca a organização distinguida pelo observador.

Uma mulher pode sofrer a perda dos ovários em uma cirurgia. Sua estrutura foi alterada, mas ela não perdeu a organização de ser vivo feminino. Mas se o observador tivesse distinguido não a organização de ser vivo feminino, mas sim a de ser vivo reprodutor, a alteração estrutural sofrida com a cirurgia teria destruído também a configuração de relações que definem a organização ou identidade de ser vivo reprodutor. [1]

Por não serem claros estes conceitos, ouvimos algumas vezes, a expressão “mudança organizacional” quando deveria ser “mudança estrutural”. Pior ainda é quando se elabora um projeto de mudança organizacional com ações que mudam somente a estrutura e não o sistema constituído pela configuração das relações entre os seus componentes.

Estes conceitos podem parecer uma exacerbação epistemológica, mas de fato não o são. Quem dirige uma organização precisa ter consciência de que, alterações nas relações entre os componentes do sistema, implicam necessariamente em uma modificação do sistema e estabelecimento de uma outra organização, com todas as implicações que isto acarreta e que devem ser consideradas e conduzidas.

Já uma mudança estrutural como conceituamos acima, não implica em alteração do sistema e da organização, mas requer, igualmente, uma gestão adequada às suas implementações.

 O conhecimento necessário e o planejamento da gestão dos processos destes dois casos não são exatamente iguais.

Comunidades de prática

 Palavras têm significados: algumas palavras, entretanto, também produzem “sensação”. A palavra “comunidade” é uma delas. Ela soa bem: qualquer coisa que a palavra “comunidade” possa significar é bom “ter uma comunidade”, “pertencer a uma comunidade”…

Comunidade, nós sentimos, é sempre uma coisa boa.

 Z.Bauman [2]

 Uma outra expressão que usaremos com freqüência e que vem sendo largamente usada internacionalmente é o que chamamos de Comunidades de Prática.

Elas podem ser conceituadas como:

“Um grupo de participantes interdependentes que fornecem o contexto de trabalho no interno do qual os membros constroem, seja uma identidade compartilhada, como também desenvolvem coletivamente uma visão sobre o trabalho e sobre o mundo, que pode refletir a organização inteira, mas frequentemente, será a expressão da comunidade local. Cria-se uma unidade de análise que é uma cultura mais densamente compartilhada no nível destas sub-culturas do que no nível organizativo”.[3]

Para E. Wenger uma comunidade de prática (CoP) é “uma história social da aprendizagem”. O autor evidencia a sua visão seja uma Teoria Social da Aprendizagem onde a atenção não é direcionada à aprendizagem de grupo, mas à natureza social da aprendizagem de cada pessoa.

A aprendizagem, neste sentido, deriva do diálogo, das divergências e é em síntese decorrente do encontro e do confronto entre as pessoas.

Uma comunidade de prática é caracterizada por três elementos chaves: [4] 

  • Empenho recíproco entre os participantes, empenho que requer a construção de uma rede de relações mútuas entre os membros do grupo, que interagem e compartilham experiências que é própria de cada um com o objetivo de alimentar a aprendizagem coletiva.
  • Presença de uma iniciativa comum, como resultado de um processo coletivo que reflete a total complexidade do empenho recíproco. A escolha desta empresa comum é definida pelos participantes através de um processo de pesquisas das necessidades relativas à situação efetiva, sem influências que possam ser externas às reais necessidades da comunidade.
  • Produção de capacidades e conhecimentos compartilhados pelos membros. 

O ciclo de vida de uma comunidade de prática se desenvolve, portanto, através da participação significativa (a prática) de um particular grupo de pessoas (a comunidade) em torno de um tema de interesse comum (o domínio).

E. Wenger sublinha como a prática seja caracterizada pela produção social de significados, produção de conhecimento que são atingidos através da negociação do significado, este último é fruto dos processos de participação e de reificação [5].

A modalidade de participação dos membros caracteriza a relação entre a prática e a comunidade, relação aprofundada por três dimensões específicas: o envolvimento recíproco dos membros, o objetivo comum e o repertório compartilhado.

As relações e as modalidades de interação entre os membros das comunidades de prática são informais, não institucionais, voluntários, baseados na reciprocidade e sobre a legitimidade da participação de todos. Cada membro, de fato, participa da aquisição do conhecimento, da sua organização e da sua distribuição.

É central na definição de uma comunidade de prática o conceito de participação periférica legítima: as comunidades de prática replicam para si próprias o percurso de reconhecimento que os novos membros cumprem no passar do papel de participantes periféricos a core member da comunidade. Todos os membros têm, de fato, a mesma dignidade e contribuem segundo suas próprias possibilidades, ao crescimento da comunidade de prática, mediante os próprios conhecimentos, experiências e recursos.

Dentro de uma organização, a noção de comunidade de prática responde essencialmente a duas exigências. A primeira é aquela que o processo de aprendizagem é essencialmente social, e a segunda devido ao fato que é um instrumento que encontra aplicação no âmbito da estruturação organizativa e na formação empresarial. As comunidades de prática são estruturas sociais que, comumente, fazem parte da nossa existência.

As comunidades de prática são os nossos olhos, observa Etienne Wenger [6], nós mesmos participamos e somos membros de muitas destas comunidades. Cada um destes contextos representa, de fato, isto que se entende como comunidade: um contexto social onde informalmente os indivíduos instauram relações, resolvem problemas, discutem e aprendem através do recíproco empenho deles nas atividades da comunidade.

Numa primeira tentativa de definir os limites do conceito de comunidade de prática poder-se-ia proceder pelo caminho negativo, afirmando coisa que elas não são, por exemplo, as comunidades que simplesmente compartilham um interesse (literário, cinematográfico, por exemplo). Mais especificamente ainda, sabemos que não são consideradas comunidades de prática todos aqueles contextos sociais de aprendizagem no qual a pessoa ou o grupo de pessoas, com a função reconhecida de professor, ajudam um indivíduo a aprender. Numa organização é preciso ter muito claro as diferenças entre uma comunidade de prática e uma unidade operativa, uma equipe, um team, ou uma rede.

Relativamente a uma unidade operativa de uma organização a comunidade de prática tem confins muito mais flexíveis e graças à participação periférica legítima qualquer pessoa que deseje pode contribuir para a construção do saber.

Uma comunidade de prática se diferencia de um team, além disto, porque o ciclo de vida da comunidade é determinado pelo valor que os membros dão a ela mesma e não por um plano estabelecido institucionalmente e ela pode durar, de fato, além do fim do projeto.

Não é, porém, somente uma rede de relações. É necessário recordar que a comunidade de prática produz práticas e conhecimentos compartilhados e deve a isto a sua própria identidade.

Um outro ponto que não podemos deixar de destacar é aquele que diz respeito a como as comunidades de prática se relacionam com o mundo externo.

Destacamos na Introdução a analogia feita por Thomas H. Davenport e Laurence Prusak[7] onde eles descrevem o funcionamento de uma organização como um “mercado do conhecimento”.  Dentro desta visão as comunidades de prática representam um importante “vendedor” de conhecimento, sobretudo pela sua confiabilidade. Ali destacamos também o papel não somente dos compradores, mas também dos intermediários (ou brokers) que colocam em contato compradores e vendedores.

No ciclo de vida de uma comunidade de prática são momentos delicados estes criados por estas trocas dos próprios artefatos, do próprio domínio e das próprias práticas como o exterior. Neste sentido torna-se crucial a gestão das fronteiras, que permitem a entrada de novos participantes ou a saída de velhos membros além da troca de conhecimento com o externo, entendido como pessoas, como Instituições, como Organizações e como outras comunidades de prática.

As comunidades de prática se relacionam com o externo através de dois tipos de conecções: os objetos de fronteira (boundary objects) e a mediação de uma ou mais pessoas (intermediários ou brokers) [8] 

  1. Os objetos de fronteira são os “artefatos”, os documentos, os termos, os conceitos e todas as formas de reificação através das quais a comunidade organiza as suas conecções. 
  2. Os intermediários (brokers) é aquela pessoa, membro da comunidade, que apresenta elementos atinentes a outras práticas, úteis para a realização dos objetivos da comunidade. Estes intermediários – ou mediadores ou mesmo facilitadores – funcionam como anéis de ligação entre as diferentes comunidades abrindo assim novas possibilidades de construção de conhecimento. 

Existe o risco de inadvertidamente ser confundida uma comunidade de prática com uma comunidade de aprendizagem. Ambas produzem conhecimento e ambas promovem o crescimento pessoal e profissional dos seus membros, mas são entidades diferentes tanto pela sua constituição como pelos fins a que se destinam. No item Problemas relacionados com a rigidez/fluidez do conhecimento faremos esta diferença.

Redes de prática

Vou pedir àqueles que me lêem que imaginem o dia a dia de uma empresa.

Imaginem que nesta empresa a área de produção teve um problema na qualidade dos produtos durante a noite e, pela manhã, fez o registro das perdas de produção e das peças eliminadas ou com defeito. Estas informações serão registradas em documentos específicos e darão entrada no programa de produção diária existente no computador. Estes dados serão elaborados por alguns programas aplicativos e passarão a fornecer dados mais elaborados, como o custo da qualidade (com as perdas ou reparações nas peças defeituosas), com o efeito sobre o volume de peças a serem entregues ao almoxarifado, sobre o possível atraso nos prazos de entrega dos compromissos comerciais, etc.

Estas elaborações serão feitas com a utilização de programas institucionais (conhecimento explícito compartilhado na empresa) e permitirão diversas ações como, por exemplo, intervenção no processo para determinar/corrigir as causas do inconveniente, a programação de horas extras para evitar atraso nos compromissos comerciais, a elaboração de uma nova previsão para evitar a falta de matéria prima/peças já que parte do estoque foi perdido na produção da noite, etc.

Todo este fluxo de informações e ações corretivas percorreu a organização, atravessando-a horizontalmente através dos vários departamentos (e das comunidades de prática). Este tipo de fluxo é sempre compreendido e compartilhado por todos aqueles que o recebem. Ele flui nos dois sentidos integrando todas as funções e práticas por ele interligadas. A este grupo de pessoas interligadas e integradas por este fluxo dá-se o nome de rede de prática.

A Rede de Prática (network) pode ser então concebida como um fluxo de conhecimento que se instala entre grupos que possuem um mesmo tipo de conhecimento, um mesmo critério, uma mesma experiência. Não implica como nas Comunidades de Prática, em uma identidade compartilhada, nem numa visão sobre o trabalho e sobre o mundo, mas na prática de um conhecimento compartilhado.

As redes de prática, portanto, são fluxos de atividades que atravessam as organizações.

Para que o leitor possa associar a existência destes fluxos com suas experiências nas organizações é oportuno lembrar que as organizações podem ser integradas de duas maneiras em função de sua finalidade e de como são estruturadas.

Organizações do tipo das universidades, onde as faculdades e os seus departamentos possuem um fim em si mesmo, neste caso, instruir e preparar os alunos no conhecimento daquela disciplina, a integração é feita horizontalmente, como um laço que mantém unido o feixe de faculdades e departamento.

Neste tipo de organização a sua estrutura pode então ser representada como um feixe de departamentos cujas práticas se apresentam de maneira bastante autônoma, mas são mantidos unidos através de uma integração horizontal que os enlaça e aproxima, mas não mistura suas práticas.

O fluxo das redes de prática, neste tipo de organização, percorre a estrutura dos seus departamentos no sentido vertical.

De fato, cada faculdade (medicina, direito, engenharia, filosofia, arquitetura, cinema, etc) acaba permitindo o estabelecimento de práticas por uma rede de pessoas pertencentes a cada disciplina. O fluxo de ligação destas pessoas, formando uma rede de prática, é proporcionado pelo compartilhamento de conhecimentos típicos, necessários e relativos a cada disciplina.

Mas as organizações podem também ser integradas verticalmente, como nas empresas. Neste tipo de organização os departamentos não possuem um fim em si mesmo. Todos eles são integrados verticalmente como opção tática para a realização do objetivo estratégico da empresa.

Para que esta integração vertical (sempre falando em relação a uma representação gráfica clássica da estrutura de uma empresa) possa ser realizada é preciso que se estabeleçam redes de prática que percorram horizontalmente os departamentos. É através destas redes de prática que se estabelece uma linguagem de comunicação compartilhada cujo único objetivo é a realização dos objetivos estratégicos da empresa. No item 7, Rigidez, fluidez e prática, um pouco à frente, eu faço uma representação gráfica na figura 1 deste fluxo.

Quem trabalha em uma empresa, muito provavelmente, já ouviu falar sobre a necessidade de retorno de um investimento. Este é um daqueles conceitos sobre os quais a direção da empresa não tergiversa. Cada empresa escolhe o seu sistema de avaliação deste retorno e dos prazos para se aceitar a recuperação do capital investido. Estas escolhas são feitas em função de vários fatores como o tipo de produto oferecido, as características do mercado em que opera, o contexto local e global de concorrência, os riscos envolvidos, entre outros.

Mas, uma vez escolhido o método e o critério de decisão, todos os departamentos da empresa serão treinados e preparados para apresentar os dados relativos aos investimentos e as avaliações do seu retorno, em condições normais, favoráveis e desfavoráveis, exatamente conforme esta prática. Todas as pessoas interligadas na preparação dos dados, dos cálculos, nas simulações de hipóteses favoráveis ou desfavoráveis, formarão uma rede unida por esta prática.

Esta rede de prática percorre a organização horizontalmente, mas tem como objetivo a integração vertical para a realização da estratégia da alta direção.

Poderíamos citar outros tantos exemplos de outras redes de prática criadas horizontalmente numa empresa, como quando se deve construir relatórios técnicos, ou relatórios de qualidade. Eles são estruturados tomando como base conceitos compartilhados, presentes em todos os departamentos, promovendo assim o fluxo e a difusão destes conhecimentos.

É importante ter presente que os membros de uma rede de prática de uma organização não formam necessariamente uma comunidade de prática. A mesma rede de prática pode atravessar diferentes comunidades de prática formando uma rede de prática mais ampla, e que pode se estender para fora dos limites da companhia.

As relações entre os membros de uma rede de prática são sensivelmente mais frágeis que aqueles de uma comunidade de prática. Isto acontece porque a maior parte dos membros de uma rede não se conhecerá, não terá informações e não comunicará um com o outro, ainda que estejam em condições de compartilhar uma grande quantidade de conhecimento.

 [1] Vasconcelos, Maria José Esteves de, Pensamento Sistêmico, O Novo Paradigma de Ciência, Editora Papirus, Campinas (SP), 2003, 3ª Edição, pgs 137 e 138.

[2] Bauman Z., Comunity. Seeking Safety in na Ensecure Word, Cambridge, Polity Press, 2001, pg 1

[3] Brown, John Seely e Duguit, Paul, Le Comunità di Pratica, Sviluppo & Organizzazione, E.S.T.E. Edizioni Scientifiche Tecniche Europee S.r.l., nº 190, Milão, Itália, março 2002, pg 49.

[4] E.Wenger, Communities of Practice, Learning, Meaning and Identity, Cambridge, New York, Cambridge University Press, 1998b.

[5] Reificação consiste no projetar os nossos significados no mundo, tornar as suas existências autônomas de nós e, portanto em poder percebê-las como dotadas de realidade própria.

Tal reificação se torna objetiva através de artefatos, de coisas ou simplesmente em significados abstratos que fornecem a base de negociação, como por exemplo, a emanação de leis, a criação de procedimentos ou a criação de um instrumento.

A função da reificação numa comunidade de prática é, portanto, aquela de focalizar a negociação: dar forma a uma abstração que se constitui num ponto de referência em torno do qual a reflexão se organiza.

[6] J. Lave e E. Wenger, Situated learning: Legitimate Peripheral Partcipation, Cambridge University Press, New York [1991].

[7] Davenport Thomas H., Prusak Laurence, Working Knowledge, Harvard Business School Press, USA, 1998.

[8] E.Wenger, Communities of Practice, Learning, Meaning and Identity, Cambridge, New York, Cambridge University Press, 1998b

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