Pragmática da Comunicação Humana e Terapia Sistêmica (Unip set 2012)

13/09/2012

PRAGM COMUN HUMANA


O ATO DE PERGUNTAR

07/03/2012

Adicionamos aqui este trabalho cujos autores são: Gladis Brun e Rosana Rapizo. Ele foi publicado na Revista Nova Perspectiva Sistêmica, no1, Biblioteca do NOOS, Instituto de Terapia de Família, Rio de Janeiro, 1992


INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO SISTÊMICO

26/02/2012

Juares Soares Costa

 Vamos começar nossas reflexões sobre o Pensamento Sistêmico, com a discussão da noção de paradigma. Esta é uma palavra muito usada atualmente, com significados variados. Com certeza você já escutou alguém dizendo:

- Nossa empresa estabeleceu um novo paradigma na relação com os clientes.

- Este é nosso paradigma no campo da administração.

- Temos que nos adaptar aos novos paradigmas de comportamento para o século XXI.

Será que todos estão usando a palavra com o mesmo significado? Provavelmente não. Vamos ver por que.

Em seu livro, “Pensamento Sistêmico, o Novo Paradigma da Ciência”, Maria José Esteves de Vasconcellos nos propõe um exercício curioso. Sugere que em tarjetas de papel, escrevamos partes de ditados populares. Por Exemplo: “Quem semeia vento…, Em casa de ferreiro…, Quem com ferro fere…., e assim por diante. Em igual número de tarjetas, vamos escrever a complementação dos ditados, mas fazendo alterações. Em vez de “ Colhe tempestade, ou “O espeto é de pau”, vamos escrever frases diferentes. “Quem semeia vento… Fica resfriado”, “Em casa de ferreiro… o churrasco é na grelha”. E assim por diante até completarmos todos os ditados.

Em seguida distribuímos aleatoriamente as tarjetas com as metades dos ditados para um grupo de pessoas, que deverão circular pelo espaço em que estão, lendo as frases das outras pessoas, até formarem pares. Nas várias ocasiões em que fizemos este jogo, confirmamos o que diz a autora:

“Você provavelmente verá que aqueles que receberam a primeira parte do provérbio resistirão a aceitar a Segunda parte modificada. Tendo uma expectativa já formada sobre a segunda parte da frase, insistirão em procurar a frase “ “correta”, ou seja, o provérbio conhecido. Os que receberem a Segunda metade da frase não terão expectativas e poderão aceitar prontamente uma articulação com alguma outra frase.

…Poderíamos dizer que as pessoas foram influenciadas por seu “paradigma de provérbios” ou seja, por sua crença sobre a forma “correta daqueles provérbios”. (Vasconcellos, 2002, pg 29)

A palavra paradigma vem do grego parádeigma, e significa padrão, modelo. Em todos os níveis de nossas vidas somos guiados por nossos paradigmas, por nossos padrões a respeito de como deve ser o mundo, de como ele funciona, quais são suas regras. Em cada família, em cada pessoa, há sempre um conjunto de paradigmas, que norteia, e ao mesmo tempo limita nossa forma de viver e pensar.

Em seu livro A Estrutura das Revoluções Científicas (1962), Thomas Khum nos propõe a idéia de um paradigma científico, definido como “uma constelação de realizações – concepções, técnicas, etc…- compartilhada por uma comunidade científica e utilizada por esta comunidade para definir problemas e soluções legítimos” (Khun, 1962). A partir da definição de Khun, Fritjoj Capra introduziu a noção de paradigma social, como sendo “uma constelação de concepções, de valores, de percepções e de práticas compartilhados por uma comunidade, que dá forma a uma visão particular da realidade, a qual constitui a base da maneira como a comunidade se organiza”.(Capra, 1996, pg 24).

Ao longo da história da humanidade, em cada comunidade, em cada povo, houve um paradigma, uma forma de ver o mundo, que predominou, e através do qual as pessoas organizavam seu cotidiano, criavam explicações para os fenômenos da vida e da morte. Outras visões de mundo sempre estiveram, e estão presentes, mas é importante ressaltarmos aqueles paradigmas que ficaram como identificação de cada período da história da humanidade.

Neste trabalho, vamos nos focalizar nos três períodos mais recentes e delimitados da história do mundo ocidental: A Idade Média, a Idade Moderna e o período contemporâneo, muitas vezes chamado de período Pós-Moderno.

Da Antiguidade até o final da idade Média (por volta do final do século XV), predominou o chamado paradigma Religioso. Nesta visão de Mundo, a Verdade existe em um plano superior, divino.

A divindade está no centro de tudo, e o conhecimento é acessível a poucos que seguirem uma vida norteada pela religiosidade, pela busca de uma espiritualidade. O conhecimento possível era sempre limitado e o método era o aperfeiçoamento pessoal, a ascese, a meditação, a dedicação religiosa.

Conhecer era aproximar-se do plano divino.

O paradigma religioso da idade Média trazia princípios norteadores interessantes, como a vida em comunidades pequenas e coesas, uma interdependência dos fenômenos espirituais e materiais. As necessidades dos indivíduos ficavam abaixo dos interesses da comunidade, buscava-se mais uma compreensão do que um controle do mundo.

Com a mudança de paradigma que ocorre quando passamos para a chamada Idade Moderna, podemos dizer que “junto com a água do banho, jogou-se a criança fora. “Foram aos poucos sendo abandonados muitos destes princípios que eram úteis, especialmente no sentido de ajudar o ser humano a perceber-se como “parte de”, conectado com as pessoas e o mundo. Este é, aliás, o significado inicial da palavra religião, do latim religare, religar-se, reconectar-se. Penso que pode ser a isto que Bateson se referia quando falava “do melhor da religião”.

Antes mundo era pequeno, Por que Terra era grande. Hoje mundo é muito grande, Por que Terra é pequena. Do tamanho da antena parabolicamará…” (G.Gil, 1991). Os versos da canção nos falam do mundo que mudou, que se expandiu. Começou a era das grandes navegações, das grandes descobertas, novos continentes, novos instrumentos científicos em busca de novas verdades. Do final do século XV até o século XX, surgem novos mundos e uma nova visão de mundo. Quando Copérnico, e depois dele Galileu começam a explorar os céus com o recém criado telescópio, dão início a uma revolução, tão grande que até hoje vivemos seus benefícios e suas conseqüências. A terra não é mais o centro do Universo, Deus não está no centro do mundo. Novas explicações e novas leis são criadas, O mundo passa a ser visto como uma máquina perfeita e previsível. O método para conhecer e controlar o mundo passou a ser o método Científico, da observação e dedução de leis, supostamente universal. È como se o mundo fosse uma máquina com um jogos de engrenagens e mecanismos perfeitos

A verdade estava no mundo, regido por leis exatas, matemáticas. Era possível um conhecimento total, acessível a quem estudasse e compreendesse as leis. O método era científico, analítico, que implicava em dividir o todo em suas partes mínimas. Do conhecimento das partes viria a Verdade.

Descartes, um nome que se confunde com o da ciência, em seu Discurso sobre o Método, dividiu o ser humano em duas partes, a mente, res cogitans, a coisa pensante, que não seria objeto da ciência. A mente ficaria com o campo da filosofia, das ciências não exatas, mais tarde da psicologia. O corpo era a res estensa, a coisa extensa, ampla, que podia ser palpada, tocada, estudada, dissecada. Este era o campo da ciência. E esta foi também à base da divisão mente-corpo que tanto limitou e limita nossa compreensão e tratamento do ser humano. O pensamento ou paradigma científico olhava, e ainda olha o mundo através de três conceitos básicos: Simplicidade, Estabilidade e Objetividade.

O conhecimento, a verdade, estariam na coisa simples, isolada, reduzida ás suas menores partes. Pessoas, partes do corpo, células, moléculas, átomos. E seria um conhecimento estável, válido para todas as pessoas em todos os tempos e lugares. O conhecimento seria também objetivo, independe do sujeito, da pessoa que conhece. O observador colocava-se fora do fenômeno observado, supostamente não interferindo com este.

À medida que foi se organizando, o pensamento científico trouxe para a humanidade um progresso sem igual em outras eras da humanidade, ao mesmo tempo em que suas descobertas ajudavam a colocá-lo em xeque. O final do século XIX e a primeira metade do século XX foram ao mesmo tempo o apogeu e o início do questionamento dos paradigmas científicos. A teoria da evolução de Darwin, a Psicanálise de Freud, são exemplos de desenvolvimentos da ciência, que ajudaram a questionar alguns de seus pressupostos. Mas foi no campo da Física, que se confunde com a própria noção de ciência, que os pressupostos da simplicidade, da objetividade e estabilidade começaram a ser questionados e derrubados.

À medida que partículas cada vez menores foram sendo estudadas, não se chegou à verdade absoluta, mas a um nível de complexidade, instabilidade e subjetividade.

“Muitos destes paradoxos estavam ligados à natureza dual da matéria subatômica, que surge às vezes como partículas, às vezes como ondas: Os elétrons, costumavam dizer os físicos naqueles dias, são partículas ás segundas e quartasfeiras, e ondas às terças e quintas….. O princípio de indeterminação mede o grau em que o cientista influencia as propriedades dos objetos observados pelo próprio processo de mensuração. Os cientistas já não podem exercer o papel de observadores objetivos e imparciais; eles estão envolvidos no mundo que observam, e o princípio de Heinsenberg mede este envolvimento. …é uma medida de quanto o universo é uno e inter-relacionado. Nos anos 20, os físicos, liderados por Heisenberg e Bohr, constataram que o mundo não é uma coleção de objetos distintos; pelo contrário, ele parece uma teia de relações entre as diversas partes de um todo unificado.” (Capra,1988,pg14).

Não é só na física que os conceitos foram mudando. A biologia começou a estudar as relações e inter-conexões entre os seres vivos, e noções como meio ambiente, habitat, passaram a fazer parte do arcabouço de uma visão mais tarde conhecida como ecológica. ”A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza.”(Capra, 1996, pg 25). A antropologia já não se satisfazia com uma observação científica de relatos de viajantes, ou com o estudo de pessoas extraídas de seu contexto. As pesquisas de campo trazem novas luzes e questionamentos. O que deve ser observado? Assim como na Física quântica, perceberam que o antropólogo interferia com o fenômeno observado, e que a relação interpessoal, e não o indivíduo isolado deveria ser a unidade de estudo. Em vários campos cresceu o interesse por temas como comunicação, retroalimentação. Começam a se organizar conhecimentos, novos conceitos, que mais tarde se agruparão em torno da Cibernética (Ciência do controle e da comunicação nos seres vivos e nas máquinas) e da Teoria Geral dos Sistemas, de Von Bertallanfy.

O fim da Segunda Guerra Mundial é hoje visto como o marco do fim da Modernidade e o começo de um novo período, que ainda estamos vivendo, que na falta de um nome melhor, tem sido chamado de Pós-Modernidade. A explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki representaram ao mesmo temo o apogeu e o início do declínio da crença na Ciência como sendo o caminho pra a redenção e o bem-estar da humanidade. Os cientistas que criaram a bomba atômica ignoravam (ou ignoraram?) as consequências sistêmicas, ecológicas da radiação. Mas desde então, não foi mais possível ignorar, ou negar, que há uma ligação em tudo, como escreveu, quase um século antes, o chefe indígena de Seattle em sua carta ao presidente americano de então. Da Simplicidade entramos na era da Complexidade; da Estabilidade para e Instabilidade, e da Objetividade para a Intersubjetividade.

“O Modernismo está relacionado a uma tradição filosófica ocidental que entende o conhecimento como objetivo e fixo. Conhecedor e conhecimento são independentes, e a linguagem é a representação da verdade objetiva e da realidade. Pós-modernismo é um termo amplo que se refere não somente a uma época, mas também a uma perspectiva filosófica, que inclui uma crítica ideológica dos fundamentos do pensamento literário, político e social…ele questiona aquilo que é tido como certo e universal, incluindo os discursos dominantes e as práticas culturais – crenças, verdades, leis, instituições sociais….O Pós-modernismo apóia a idéia de que aquele que conhece participa da criação do mundo em que vive, observa e conhece: de que aquilo que é criado e conhecido é somente uma das várias perspectivas e possibilidades; de que aquilo que é conhecido ou que se crê que seja conhecido muda através de interações comunicativas (Anderson, H.1966).

Apesar de não serem sinônimos, o Pensamento Sistêmico situa-se no marco da Pós-Modernidade.

A ciência objetiva ainda costuma dizer que as coisas são. … É interessante lembrarmos que para a Teologia, o verbo Ser é um atributo da Divindade. Só o Deus É, independentemente de tempo, espaço, lugar. A discussão sobre este campo teológico não é nosso objetivo, mas chamamos atenção para o fato de que quando usamos o verbo ser, muitas vezes, sem perceber, estamos atribuindo ao objeto, qualidades e características que remetem a algo essencial, que seria intrínseco ao objeto, em qualquer contexto e sem relação com o sujeito que as refere.

Quando passamos para o referencial do Pensamento Sistêmico, é como se nos dispuséssemos a abandonar o uso do verbo Ser, e começarmos a usar ao verbo ESTAR. Passamos a pensar em termos de contextos, relações, significados que tem validade apenas local. Dizer que uma pessoa é violenta é muito diferente de dizer que uma pessoa está violenta, que se comporta de um modo que alguém chamou de violento. Deixa de ser uma característica da pessoa, para algo que passa a ser descrito em termos de comportamentos, de relações, de um contexto cultural que define tal comportamento como violento. Abrimos espaço para questionarmos como foi que aquela pessoa aprendeu a se comportar daquele modo. Será que ele sempre age do mesmo modo em todos os contextos? Com todas as pessoas? Enfim, ao sairmos da tirania do Ser, da idéia de essência, temos a possibilidade de encontrar novos caminhos para a compreensão e busca de solução para os problemas humanos.

Faça você também o exercício proposto por Gianfranco Cecchin em seu artigo “Exercícios Para Manter Sua Mente Sistêmica” (1991). Escolha uma história de uma situação profissional, e ao relatá-la, não faça uso do verbo Ser. Você verá que ocorrem mudanças. Compare-as com o que descrevemos no quadro abaixo:

A passagem do Paradigma Científico para o Pensamento Sistêmico trás para todos nós uma ampliação, nem sempre fácil de ser entendida e ser vivida. De verdades absolutas e certezas, passamos para um mundo de múltiplos significados e incertezas. De um universo, de uma única versão da história, passamos para os multi-versos. De afirmações, passamos para as perguntas. Os critérios de validação para um conhecimento não estão mais embasados apenas nas leis da ciência, mas se apóiam no diálogo, no consenso, e principalmente na Ética.

Ética vem do grego, ethos, que significa comportamento, atitude, e de óikos, que se refere à morada, o local habitado pelo homem. Pode ser nossa casa, nossa comunidade, nosso país, nosso planeta. A Ética situa-se acima da moral. Moral vem do latim mores, que fala dos costumes. Os costumes são mais locais, temporários, variáveis. A Ética é mais duradoura, permanente, mais abrangente. Por exemplo, mudam os costumes, a moral sexual, mas permanecem valores éticos que falam do respeito á vida humana, ao direito à integridade física de cada pessoa.

“A ética nos possibilita a ousadia de assumir, com responsabilidade, novas posturas, de projetar novos valores, não por modismo, mas como serviço a moradia humana.”(Boff, L. 1997)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSON, Harlene “ Uma Reflexão sobre a colaboração Cliente-Profissional” . Family Systems ¨&Health, 14:193-206, 1996 (original em inglês)

BOFF, Leonardo. “A Águia e a Galinha – Uma Metáfora da Condição Humana” Petrópolis RJ- Vozes- 1997

CAPRA, Fritjof (1996) “A Teia da Vida. Uma compreensão científica dos sistemas vivos”.São Paulo: Cultrix  (1988), “Sabedoria Incomum. Conversas com pessoas notáveis”.São Paulo: Cultrix, 1987

VASCONCELOS, Maria José Esteves de. “ Pensamento Sistêmico – O Novo Paradigma da Ciência”, Campinas, SP: Papirus, 2002


TERAPIA DE CASAL E FAMÍLIA

30/01/2012

É sempre importante assinalar que na terapia de casal o “cliente” é o casal assim como na terapia de família o “cliente” é a família.

Não é objetivo desta abordagem terapêutica trabalhar dinâmicas individuais, ou seja, entrar nas dinâmicas de mundo interno de qualquer membro destes sistemas.

Sempre se trabalham as angústias e os problemas que envolvem os membros do sistema, da mesma maneira que se tem o casal ou a família como sistemas com potencial de soluções e como agentes de mudanças.

A postura do terapeuta é olhar menos para o conflito e mais para as possibilidades interativas em busca de soluções. Ele deve procurar não pensar tanto no problema e nas dificuldades e sim buscar mais recursos e possibilidades de mudanças.

A família ou casal não são vistos então como problemas, e sim como agentes de mudança e responsáveis pela solução.

 

Quando a Terapia de Casal ou família é indicada

Este tipo de terapia é indicada quando trazem como queixa, problemas nas relações deles. Problemas que não conseguem resolver sozinhos, e que estão comprometendo que caminhem na vida, compartilhando o cotidiano de uma maneira saudável e sem muitos conflitos.

Geralmente as queixas são dificuldades de comunicação e de negociações e precisam ajuda para que possam refletir, avaliar, propor mudanças e resolver os problemas que aparecem em suas vidas.

No caso de casais, estas angústias podem ser relacionadas aos seus vínculos amorosos ou outros aspectos ligados a situações de vida.

Muitas vezes nas famílias estes problemas podem estar ligados a como administrar os bens materiais, à religião, às escolhas de lazer e tempo livre, à dependências de drogas e álcool, à educação dos filhos etc.

Este tipo de terapia também é indicado quando um dos membros da família é o portador dos sintomas, de doenças físicas ou emocionais, algumas vezes exacerbados em conseqüência da própria dinâmica da família. Uma criança pode apresentar um problema de comportamento, de dificuldades escolares, doenças, etc., mas estes sintomas estão denunciando que algo pode estar angustiando esta família.

Quando recebemos o encaminhamento de uma família, com um dos membros deficiente mental, toda a família é afetada por isto e o nosso trabalho é buscar suas potencialidades para lidar com este fato ao invés de reforçar esta deficiência como um problema.

Um critério fundamental que devemos levar em conta, quando tratamos de Terapia de Casal e Família, é como o cliente vem buscar ajuda. Sempre que alguém (uma mãe, um marido etc..) consulta, para procurar ajuda para outra pessoa é indicação de terapia de Casal ou Familia.

Por ex. Uma mãe que procura terapia para um filho com problemas ou uma esposa que pede ajuda para a relação com o marido, ou uma mãe que procura terapia por causa da relação conflituosa entre os filhos e marido etc… Geralmente um dos membros do sistema percebe que precisam de ajuda e busca uma terapia.

Vamos ver exemplos de algumas queixas que aparecem em um casal e que pode ser útil uma indicação para a Terapia de Casal.

1-       Ciúmes

2-       Infidelidade

3-       Decepções e Desencantos

4-       Dificuldade em negociar e entrar em acordos.

5-       Brigas constantes

6-       Falta de dialogo franco e sincero

7-       Doenças

8-       Adoção

9-       Violência no casal

10-    Empobrecimento da vida conjugal (sexual, …)

11-    Conflito de papéis

12-    Dinheiro

13-    Ter filhos?

14-    Filhos de relações  anteriores

15-    Pendências de relações anteriores

16-    Drogas/álcool

17-    Diferença de idade

18-    Competição

19-    Outros

Exemplos de queixas de famílias que podem ou devem ser indicadas para Terapia de Familia:

1-       Dificuldade em negociar e entrar em acordos

2-       Brigas constantes

3-       Falta de dialogo

4-       Doenças e morte na família

5-       Mudança de ciclo de vida

6-       Perda de emprego, posição social e outras mudanças

7-       Adoção

8-       Violência *

9-       Empobrecimento da vida familiar

10-    Conflito de papéis

11-    Dinheiro

12-    Educação dos filhos e gestão dos bens da família

13-    Recasamento

14-    Drogas/álcool

15-    Outros

* Em caso de abuso não se indica terapia da vítima e autor de violência juntos.

 

Estágio em Terapia de Família e Casal no CPA da Unip

O nosso atendimento e feito em equipe segundo o modelo de atendimento da Escola de Milão, outras vezes usamos o modelo de Equipe Reflexiva que foi criado por outro terapeuta sistêmico chamado Tom Ardersen e agregamos também o modelo segundo a Análise Psicodramática.

A sessão é feita geralmente na sala de espelho, tendo uma dupla de terapeutas, chamada dupla de campo, e os outros alunos ficam acompanhando atrás do espelho. A participação deles segue um procedimento previamente aprendido e combinado.

Depois de terem tido um conteúdo teórico e prático adequado os alunos passam a assumir em duplas, trios ou grupos maiores as famílias encaminhadas em horários independentes da presença da supervisora.

Os alunos aprendem a fazer contratos com a família sobre o funcionamento do grupo, horários, nº de sessões etc.

Aprendem a ouvir, perguntar e ressignificar a queixa e o encaminhamento para avaliar se este sistema está indicado para este tipo de atendimento.

Fazem um processo de avaliação da dinâmica e intervenção terapêutica para que o sistema possa continuar caminhando na vida de uma maneira mais saudável.

Os alunos recebem uma base conceitual sobre o Pensamento Sistêmico e Análise Psicodramática para que possam conduzir um atendimento dentro do que é esperado e possível para o estagio.

Vivenciam e utilizam técnicas fundamentais e indicadas para este tipo de atendimento além de posturas terapêuticas e éticas.

Este estágio proporciona uma experiência no atendimento de Casal e Familia, o que os ajuda a avaliar se se identificam com este tipo de atuação profissional.

Esta é uma breve síntese sobre o conteúdo deste estágio no CPA para que possam avaliar seu encaminhamento e escolha terapêutica.

Coloco-me à disposição para maiores esclarecimentos

 

Maria Lúcia Mendonça Coelho

Supervisora do estágio de Atendimento a Casais e Família na Abordagem Sistêmica

 


Pragmática da Comunicação Humana e Terapia Sistêmica (Unip 14/09/2011)

15/09/2011

Pragmática da Comunicação Humana e Terapia Sistêmica (Unip 14/09/2011)

Para os que se interessarem em obter detalhes sobre a fundamentação conceitual deste tema o livro sugerido é a “Pragmática da Comunicação Humana” de Paul Watzlawick, janet H. Beavin e Don D. Jackson. No link a seguir pode-se acessar a praticamente todo o livro:

http://books.google.com.br/books?id=exKuv0NUDcoC&lpg=PA13&dq=%22pragm%C3%A1tica%20da%20comunica%C3%A7%C3%A3o%20humana%22&pg=PA5#v=onepage&q=%22pragm%C3%A1tica%20da%20comunica%C3%A7%C3%A3o%20humana%22&f=true


ÁTOMO FAMILIAR, SOCIAL E PROFISSIONAL

14/05/2011

Maria Lucia Mendonça Coelho

Conceito 

A expressão “átomo social” significa a unidade social, não ulteriormente divisível, à qual participa um indivíduo para satisfazer as suas próprias necessidades de expansão afetiva. Cada indivíduo pode se reconhecer em um número indefinido de átomos sociais (família, trabalho, amizade…). Miríade de átomos sociais se cruzam, se interpenetram e se multiplicam no curso de uma vida. Cada um de nós é o protagonista e artífice da formação, do crescimento, da dissolução e do renascimento de todos os átomos sociais que se compõem e se desfazem no caleidoscópio do Universo humano. Da mesma maneira o átomo cultural pode ser definido como ”aquela constelação de elementos culturais presentes em um indivíduo, a qual propõe modelos de papel e contra-papel que contribuem para estruturar certo comportamento. O indivíduo tem um seu mundo de princípios, conceitos, visão do mundo, que pode ser mais ou menos coincidentes com os princípios e a ética do grupo a que pertence: é este o aspecto da personalidade estruturado no átomo social

As expressões “átomo familiar”, “átomo social” e “átomo profissional”, significam respectivamente que o sistema de referência é a família, a rede social e o papel profissional.

Como técnica, a investigação dramática do átomo social visa explorar o contexto sociométrico ao qual o indivíduo está se referindo.

A “técnica do átomo familiar” pode ser entendida como uma técnica utilizada pelo terapeuta para questionar o cliente e/ou família no papel de outros personagens. Pode ser utilizada no início da terapia para fornecer ao terapeuta  elementos da história e modelos dos personagens da referida família, assim como a própria família pode começar a se ouvir e conhecer aspectos desconhecidos de seus membros. O protagonista (cliente individual ou família) apresenta as pessoas afetivamente significativas, por uma escolha própria ou por solicitação do terapeuta. Pode ser também utilizada em vários outros momentos da terapia e trabalhos de grupo para mobilizar figuras do mundo interno ou trabalhar dinâmicas que eventualmente surjam no decorrer do processo.

Da mesma forma, na técnica do átomo social e naquela do átomo profissional, o protagonista apresenta as figuras com as quais se relaciona respectivamente no âmbito social e no ambiente de trabalho.

No dizer de Moreno:

“Apresenta-se a si mesmo de uma forma unilateral e subjetiva e apresenta diversas pessoas do seu meio unilateral e subjetivamente, e não como elas são. Representa seu pai, seu colega, seu chefe, sua mulher e qualquer outra pessoa de sua célula social, do ponto de vista de sua subjetividade”.

Estas podem ser próximas ou distantes, mortas ou vivas, do presente ou do passado e até mesmo imaginadas do futuro. Representa e revive as correntes emocionais que enchem o átomo  social (ou familiar, ou qualquer grupo de relações de um individuo). 

A quem se destina 

A toda e qualquer pessoa, profissional ou grupo, numa fase de avaliação, treinamento, avaliação de redes sociais, formação continuada, mudanças de função, desenvolvimento profissional, entre outras situações.

Como pode ser utilizado, o que inova e vantagens 

Podemos utilizar esta técnica adequando-a ao nosso foco de trabalho. Pode ser então átomo familiar, átomo social, átomo profissional, etc, dependendo de qual papel estaremos pesquisando.    

O “átomo” é um método de trabalho com focalização individual ou grupal, centrado nas relações interpessoais e interfere nelas por meio da ação. Acreditamos que o homem está no que faz, não no que oculta, e que o eu só se reconhece por meio do tu. Esta técnica (Átomo) do psicodrama estimula a espontaneidade, assim como a flexibilização de papéis, e facilita a manifestação de conflitos, afetivos e éticos, impedimentos e possibilidades de expressão. No Brasil, é também muito comum o sociodrama, variação com enfoque social utilizada em comunidades, escolas e empresas.

O “átomo” pode ser considerado inovador como técnica aplicável às dinâmicas existentes dentro das empresas.

Esta metodologia é escolhida por sua grande potencialidade e adequação para evidenciar – através da dramatização – os pontos relevantes da estrutura do grupo, assim como dos seus componentes. Deste modo, pode-se ter mais segurança para alcançar o objetivo prefixado, sem utilizar os clássicos sistemas de pesquisa baseados em entrevistas, orais ou escritas, que se tornam longas e complexas quando se deseja evitar resultados distorcidos.

Outra vantagem desta metodologia é que os participantes têm a possibilidade de compartilhar dos resultados à medida que vão sendo produzidos. Isto é devido às experiências que todos vivenciam no percurso da avaliação, as quais são retiradas espontaneamente nas conclusões e no compartilhamento.

A utilização do “átomo” por parte de um terapeuta ou por um condutor de grupo pode ser útil, entre outras coisas, como: 

  • Um recurso no processo terapêutico com família, casal e individual, para entrevistar o cliente sobre suas relações sociais, familiares, profissionais e etc e possibilitar uma reflexão e melhor percepção sobre suas redes de relacionamento.  
  • Uma técnica frequentemente utilizada em entrevistas iniciais, estudos diagnósticos (processo de seleção), avaliação de desempenho, treinamento e desenvolvimento de equipe, e intervenções temáticas dentro da empresa. 
  • Para dar ao consultor e ao participante do processo em questão uma visão global das suas relações atuais, assim como podem se ver subjetivamente através das pessoas que se relacionam com ele. 
  • Como todo individuo é foco de inúmeras atrações e repulsões, também aparece como foco de inúmeros papéis relacionados a papéis de outros indivíduos.  

Pode-se utilizar o átomo como técnica projetiva, numa avaliação psicodiagnóstica na área de recursos humanos.


CONTRATO CONJUGAL

14/05/2011

Luis nasceu em São Paulo capital como filho único de uma família de origem italiana. Seu pai era engenheiro e sua mãe advogada. Estudou em escolas particulares, praticou esporte de maneira competitiva e se formou em engenharia. Neste período teve muitas experiências, viajou bastante e viveu intensamente amizades, conflitos e namoros.

Lia nasceu em Lages no interior de Santa Catarina e era a caçula de três irmãos em uma família de origem alemã. Seu pai tinha uma fazenda e ela cresceu entre as atividades da escola pública e o campo. A faculdade que escolheu foi a de agronomia. Até chegar à universidade ela teve poucas amizades, mas muito confiáveis. 

Luis passou a trabalhar em uma construtora de estradas e ficou um bom período em Lages onde conheceu Lia numa festa no clube local. 

Esta é uma história como tantas outras. Eles se conheceram e logo foram descobrindo que a relação deles era diferente daquilo que tinham experimentado até então. A sensação que sentiam quando estavam juntos era essencialmente a de prazer. Cada encontro era precedido de expectativas sobre o que poderiam fazer e de como poderiam agradar o companheiro. Era como se cada um deles estivessem construindo um “mapa” para chegar ao coração do outro.

O mapa de cada um ia se enriquecendo a cada dia com novos caminhos para agradar ao companheiro. Já continham até “atalhos” para atingir os objetivos desejados em momentos de maior tensão.

No mapa que Luis ia construindo, e entre tantas coisas, ele levava em consideração muitos dos hábitos familiares da Lia pelo fato dela vir de uma família alemã e ter tido uma adolescência em zona rural, tranqüila.

No mapa que Lia construía a cultura pragmática do paulistano, suas muitas viagens ao exterior e um pouco da dramaticidade que denunciava a família de origem italiana eram levadas em conta.

Depois de algum tempo os dois tinham construído mapas considerados precisos e eficazes para chegar ao coração do outro. As sensações e o prazer da convivência comprovavam que o outro era exatamente o que desejavam ter como companheiro.

Nesta fase mais adiantada do relacionamento, mas inconscientes das naturais dinâmicas humanas, eles passaram a buscar a confirmação do que cada um sentia pelo outro assim como as provas de reciprocidade. Este processo incandescente assinalou o estado nascente do enamoramento e a certeza de que deviam casar.

Luis conseguiu se estabilizar profissionalmente em Campinas (SP) e Lia conseguiu uma atividade profissional na mesma cidade. Isto os levou ao casamento formal.

Para um observador externo este processo de conhecimento, enamoramento e casamento de Luis e Lia construiu um terceiro elemento: “o casal”.

A relação de casal deles ficou então estruturada através de um acordo que metaforicamente representei naquele mapa de conhecimento recíproco. Este mapeamento que assinalou o conjunto recíproco de concordâncias, de discordâncias, de cumplicidades, de valores, de atração, de desejos, de emoções, de sentimentos e tantas outras coisas que se materializaram na formalização de uma vida e de projeto em comum é o que poderemos chamar de Contrato Conjugal.

Este contrato, com parte do conteúdo explícita e parte implícita, continha uma série de valores, conceitos e dinâmicas que sustentavam a estrutura e o funcionamento do sistema formado pelo casal.

Luis e Lia tiveram dois filhos e o sistema se ampliou. Luis e Lia trabalham e o sistema do casal passou a ter ligações e até sobreposições com os respectivos sistemas profissionais.

O tempo foi passando, os filhos crescendo e a carreira profissional sendo desenvolvida com maior ou menor sucesso. Luis e Lia prosseguiram vivendo, tendo novas experiências e confirmando, adaptando ou revendo valores. Novos valores também foram sendo incorporados por cada um deles.

A relação de casal passou a ter altos e baixos. Muitas vezes parecia que o que indicava o mapa (ou o Contrato) que construíram durante o enamoramento não funcionava como antes. Começaram então a surgir pequenos confrontos e, às vezes, para fugir do confronto, respondia-se com o silêncio ou rebatia-se a pergunta com outra pergunta. Isto incomodava mais ainda… O silêncio é uma forma não verbal de comunicação e tem um aspecto pragmático de comunicação. É o olhar que o acompanha ou o “não olhar”, com todas as interpretações que lhe decorrem.

A resposta com uma pergunta, ou com toques cheios de “veneno” podem buscar uma forma de se impor na relação. É como num jogo de tênis em que a bolinha recebe um toque e vai ao campo adversário, recebe outro toque e retorna ao campo original para receber mais outro toque e assim sucessivamente.

Com o tempo e a repetição, esta pontuação (bate-rebate) na comunicação não só restringiu as possibilidades de novas respostas como começou a redefinir a natureza da relação do casal.

Um dia surgiu espontaneamente a pergunta: por quê? O que estava acontecendo? Por que as coisas não eram como antes? E aquele mapa (ou Contrato Conjugal)? O que estava errado com ele? A angústia os estimulou a buscarem uma ajuda externa através de uma terapia de casal.

O terapeuta que lhes foi indicado tinha um approach sistêmico e logo ficou claro que o trabalho do terapeuta começou e manteve sempre o foco sobre “o casal”, elemento que muitas vezes vinha sendo esquecido por eles com seus focos de atenção voltados para suas individualidades.

Neste processo de busca dos porquês da angústia que se instalou no sistema relacional do “casal” eles foram ajudados pelo terapeuta através da criação de um metassistema[1] como espaço intermediário. Neste espaço intermediário do setting terapêutico o casal e o terapeuta puderam ver mais precisamente os conteúdos, as dinâmicas, os valores, as pontuações entre tantas coisas que se instalaram no sistema do casal.

O “Contrato Conjugal” foi sendo visto e revisto. O “casal” foi confrontando o Contrato Conjugal elaborado na fase de enamoramento com a relação que acontece diariamente no sistema relacional do casal.

Contrato Conjugal é uma metáfora utilizada para representar este mapeamento da relação do casal durante o processo do namoro e em suas fases seguintes do relacionamento conjugal. Este contrato é dinâmico. Deve ser flexível e atualizado.

Quando duas pessoas se conhecem, se atraem e desejam construir uma relação, seja ela qual for (casal, amizade, profissional, etc.) elas iniciam um processo de observação um do outro. O que se fala e o que se faz determinarão, na pessoa que observa, a abertura ou o fechamento para as conversas e para a construção da imagem que um elabora do outro. O observador busca definir quem é a pessoa observada. Constrói uma imagem que lhe diz o que poderá esperar do observado.

 

“Uma decorrência importante desta perspectiva é deixar claro que uma pessoa é, na verdade, muitas pessoas. Torna-se uma pessoa em uma determinada circunstância, e outra pessoa em outra circunstância. No entanto todas estas pessoas surgem da mesma pessoa, possuidoras de algumas características básicas, que a torna essa pessoa”.[2]

 

Tendo isto em mente, quanto mais correta for a percepção e aceitação do outro melhor será a negociação de como vão conviver e se vincular nesta vida.

Este processo, como já foi dito, nem sempre é explícito entre eles e, muitas vezes, nem para o indivíduo que está negociando uma maneira de se relacionar.

Desta maneira vamos estabelecendo acordos, regras e contribuições para esta relação.

Faço um exemplo.

Lia conversa com Luis sobre uma situação familiar que presenciavam: o pai de Lia ficou tenso, preocupado e agressivo ao receber um telefonema de um familiar da Alemanha.

Lia então explica a Luis que existe um problema em sua família ligado a histórias políticas e acrescenta:

- Isto é o que eu posso te dizer. Peço a você que nunca pergunte, que se preocupe ou que interfira quando ouvir algo deste gênero quando estivermos juntos.

Luis respondeu:

- Ok, combinado, mas se um dia você mudar de idéia e quiser conversar comigo sobre este tema e eu puder ajudar, estarei às ordens.

Muito bem, o sistema formado pelo “casal” Luis e Lia pertence a sistemas mais amplos e contem sistemas menores. Durante as sessões formavam-se metassistemas de interação entre sistemas naturais ligados ao sistema do “casal”. Apareceram interações entre o casal e a escola dos filhos, entre o casal e o terapeuta ou entre o casal e as atividades profissionais, por exemplo.

A finalidade destes metassistemas é de fato restituir a individualização de cada um destes sistemas cuja mistura e desorganização os levou a buscar a ajuda terapêutica.

Luis e Lia refizeram o Contrato Conjugal, atualizando-o e desincorporando sistemas que se fundiram com o tempo. O sistema conjugal recuperou a estabilidade que buscava.

Antes de concluir, acho oportuno e à título de atualização, destacar que já existem casais que se interessam – antes do casamento -  por uma breve terapia de casal para que se conscientizem melhor da precisão dos mapas que construíram na relação com o companheiro(a) e que se transformarão no Contrato Conjugal do seu projeto de casal.

Campinas, 12 de maio de 2011

Maria Lúcia Mendonça Coelho


[1] Metacomunicação à metassistema. No setting terapêutico não usamos a comunicação apenas para comunicar, mas também para comunicar sobre a comunicação. Defini-se metacomunicação como a comunicação sobre a comunicação, o que inevitavelmente acontece no setting terapêutico, onde os esquemas e as lógicas conceituais que usamos para nos comunicar são evidenciados.

Metassistema neste caso é um sistema onde se reflete sobre os elementos componentes da sessão terapêutica, ou seja, o elemento “casal”, que é um sistema e o outro elemento, a relação casal/terapeuta, que também é um sistema.

O metassistema do setting terapêutico, também pode ser visto como uma tela de projeção, de início vazia, mas na qual aos pouco vão aparecendo conteúdos inesperados, novas visões destes conteúdos e uma nova história passa a ser vista e contada.

[2] Tom Andersen, Processos Reflexivos, Editora NOOS, 2ª edição ampliada, 1991, pg. 45


NORTEADORES BÁSICOS PARA ATENDIMENTO INDIVIDUAL, DE CASAL E FAMÍLIA

22/02/2011

          Quando atendemos um cliente em terapia, um dos nossos diferenciais como profissional desta área, deve ser a maneira como conduzimos as sessões e como nos comunicamos com o sistema que está sendo atendido.

Nossa postura nesta conversação que estabelecemos com o cliente (individual, casal ou família) pode e deve ser terapêutica, observando alguns critérios que vamos aprendendo e desenvolvendo ao logo de nossa profissão.

Temos de oferecer ao cliente:

 1)     Um clima terapêutico, mas o que seria clima terapêutico?

È um ambiente onde o cliente possa se sentir confiante, acolhido e protegido, aceito e tranqüilo de que podemos dar continência aos conteúdos que estão sendo trazidos

 

2)     Um lugar onde possam falar de seus problemas, angústias e conflitos, sem serem interrompidos, mas dando espaço para que o outro também tenha voz. Quem fala na sessão é o cliente. Uma sessão onde o terapeuta fala mais que o cliente pode não ter sido uma boa sessão.

 

Sugiro aqui alguns norteadores que podem ser utilizados e seguidos quando atendemos um cliente (individual, casal ou família)

 

  • Convide os clientes a dizerem como eles vêm o problema

 

  • Respeite o passo, o ritmo e o tempo dos clientes

 

  • As perguntas são exploratórias e de curiosidade, mas sem invadir o espaço e o tempo do cliente obrigando-o a dizer coisas que ainda não quer dizer.

 

  • O cliente vai sinalizando e nos autorizando quando, onde e do que podemos falar.

 

  • Evite fazer hipóteses prematuras

 

  • Verifique se os clientes tiveram oportunidade de dizer o que queriam dizer

 

  • Use uma linguagem coerente com o vocabulário e as metáforas dos clientes

 

  • Crie e mantenha um espaço para que os clientes possam contar seus próprios pontos de vista

 

  • Lembre-se que suas perguntas influenciam a construção das respostas dos clientes

 

  • Não presuma que o paciente tenha compreendido e concordado; verifique se de fato isto ocorreu

 

  • Use uma linguagem que seja cooperativa e positiva, de maneira a convidar o paciente a participar da conversa

 

  • Fique curioso a respeito do que o paciente quer conversar

 

  • Dê aos clientes a oportunidade de corrigir qualquer incompreensão que possa ter se desenvolvido e de esclarecer aquilo que disseram

 

  • Verifique se os clientes tiveram a oportunidade de dizer o que queriam dizer

 

  • Lembre-se de que suas perguntas comunicam algo a respeito de você e do que você pensa

 

  • Não vá mais rápido que o cliente

 

  • Explore com o cliente o que ele já fez para resolver o problema.

 

  • Lembre-se que uma narrativa nunca é o retrato “fiel” da história. O relato de cada pessoa, sua maneira de contar ou recontar será diferente

CONSIDERAÇÕES SOBRE O PENSAMENTO CLÁSSICO E O PENSAMENTO SISTÊMICO

17/02/2011

  PENSAMENTO CLÁSSICO                        PENSAMENTO SISTÊMICO 

- Pressuposto da simplicidade                      – Pressuposto da complexidade

- Pressuposto da estabilidade                       – Pressuposto da instabilidade

- Pressuposto da objetividade                       – Pressuposto da intersubjetividade

PRESSUPOSTOS DO PENSAMENTO CLÁSSICO

O pressuposto da  simplicidade

Este pressuposto crê que separando-se o mundo complexo em partes encontram-se elementos simples. É preciso separar as partes para entender o todo, ou seja, o pressuposto de que “o microscópico é simples”. Daí decorrem, entre outras coisas, a atitude de análise e a busca de relações causais lineares. 

Este pressuposto tira o objeto de estudo dos seus contextos, prejudicando a compreensão das relações entre o objeto e o todo. Faz parte dessa perspectiva também a atitude “ou-ou”, que de acordo com a lógica, classifica os objetos, não permitindo que um mesmo objeto pertença a duas categorias diferentes. Além disso, esse pressuposto provoca a compartimentalização do saber, fragmentando o conhecimento em diferentes disciplinas científicas…

O pressuposto da estabilidade

 É a crença de que o mundo é estável, ou seja, em que o “mundo já é”.

Ligados a esse pressuposto estão a crença na determinação – com a consequente previsibilidade dos fenômenos – e a crença na reversibilidade – com a consequente controlabilidade dos fenômenos.

Este pressuposto leva o cientista a estudar os fenômenos em laboratório, onde pode variar os fatores um de cada vez, exercendo controle sobre as outras variáveis. Assim, ele provoca a natureza para que explicite, sem ambiguidade, as leis a que está submetida, confirmando ou não suas hipóteses. Ao levar o fenômeno para laboratório, excluindo o contexto e a complexidade, focalizando apenas o fenômeno que estava acontecendo, ele exclui a sua história.

Faz parte desse paradigma o pressuposto da previsibilidade: o que não é previsto com segurança é associado a um conhecimento imperfeito, o que leva a uma redução ainda maior do conhecimento por meio do pressuposto da simplicidade. Por conseguinte, a instabilidade de um sistema é visto como um desvio a corrigir.

O pressuposto da objetividade

Ele estabelece a crença em que “é possível conhecer objetivamente o mundo tal como ele é na realidade” e a exigência da objetividade como critério de cientificidade. Daí decorrem os esforços para colocar entre parênteses a subjetividade do cientista, para atingir o universo, ou versão única do conhecimento.

Com este pressuposto o cientista posiciona-se “fora da natureza”, em posição privilegiada, com uma visão abrangente, procurando discriminar o objetivo do ilusório (suas próprias opiniões ou subjetividade). Advém daí a crença no realismo do universo: o mundo e o que nele acontece é real e existe independente de quem o descreve. Com isso obtemos várias representações da realidade, que ajudaria a descobri-la. E o critério de certeza advém daquelas observações conjuntas e reproduzíveis, onde, coincidindo os registros de observações independentes, mais confiáveis e objetivas são as afirmações. A estatística encontra aí um bom campo de atuação.

Resumindo: a ciência tradicional procura simplificar o universo (dimensão da simplicidade) para conhecê-lo ou saber como funciona (dimensão da estabilidade), tal como ele é na realidade (dimensão objetividade).

PRESSUPOSTOS DO PENSAMENTO SISTÊMICO

O pressuposto da complexidade (em contraposição ao pressuposto da simplicidade)

Reconhece que a simplificação obscurece as inter-relações dos fenômenos do universo e de que é imprescindível ver e lidar com a complexidade do mundo em todos os seus níveis. Um exemplo de uma descrição baseada nesse pressuposto é a Sincronicidade, que prevê outras relações, que não são causais, para os eventos do universo. Além disso, a psicologia analítica lida de modo sistêmico com a psique, daí seu homônimo: psicologia complexa, ou profunda.

Um erro comum é imaginar que podemos resolver “todos” os problemas dividindo-os em partes e observando o que está falhando. Isto pode nos distanciar das relações entre as partes onde pode residir a real causa ou fatores que contribuem para o problema. Um raciocínio convencional (reducionista) é reduzir o problema a “isto” ou “aquilo”, enquanto o pensamento sistêmico define “isto e aquilo” A. Einstein 

 

O pressuposto da instabilidade (em contraposição ao pressuposto da estabilidade)

Reconhece que o mundo está em processo de tornar-se, advindo daí a consideração da indeterminação, com a consequente imprevisibilidade, irreversibilidade e incontrolabilidade dos fenômenos. A abordagem orgânica, a homeostase psíquica, e a noção de inconsciente (o que inclui a freudiana), com os seus componentes arquetípicos e complexos são exemplos de abordagem sistêmica da psicologia analítica.

O pressuposto da intersubjetividade (em contraposição ao pressuposto da objetividade)

Reconhece que não existe uma realidade independente de um observador e que o conhecimento científico é uma construção social, em espaços consensuais, por diferentes sujeitos/observadores. Então o cientista trabalha com múltiplas versões da realidade, em diferentes domínios linguísticos de explicações. Os tipos psicológicos junguianos são o que há de mais inovador nesse sentido, tendo inclusive reconhecimento científico tradicional na detecção dos tipos de personalidade.

Para o pensamento sistêmico, não existe uma realidade independente do observador.

Trata-se de uma epistemologia que traz definitivamente, para o âmbito da ciência, o observador, o sujeito do conhecimento.

IMPLICAÇÕES DO PENSAMENTO SISTÊMICO NA TERAPIA DE CASAL E/OU FAMÍLIA [1]

No atendimento sistêmico à família o profissional, ao atender seu cliente, passa a vê-lo como um membro integrante de um sistema familiar, colaborando e sofrendo a ação deste sistema. O profissional passa também a se ver, a partir deste momento, como parte integrante do sistema de atendimento que se está constituindo.

A partir deste momento o terapeuta buscará compreender toda a rede de relacionamentos que mantêm este sistema, as suas relações sociais com a comunidade, as relações do seu cliente com o sistema a que pertence, e as relações de seu cliente e ele (terapeuta). Deve buscar compreender também como todos estes membros do sistema (incluindo o próprio terapeuta) participam na manutenção e/ou na solução do problema que está sendo abordado.

O terapeuta continuará a exercer a prática para qual foi preparado em sua graduação ou pós-graduação, mas ampliando o foco de visão e de ação, buscando criar um contexto no qual todos os envolvidos com o problema possam co-construir sua solução.

O trabalho com famílias em uma visão sistêmica deve buscar usar recursos técnicos terapêuticos que se harmonizem com este tipo de visão do contexto sistêmico onde aparecem os problemas e onde se co-constroi uma solução.

Dentre os recursos técnicos terapêuticos disponíveis utilizamos com freqüência aqueles oferecidos pelo Psicodrama. Todas as técnicas e conceitos do Psicodrama se encaixam harmonicamente com a visão sistêmica nos processos terapêuticos seja na terapia individual, na terapia de casal e na terapia familiar.

As técnicas do Psicodrama, além de permitirem ao casal e/ou família falar de seus problemas e de como funciona seus sistemas familiares, passam também a vivenciar – como ATOR e como OBSERVADOR - as diferentes configurações destes sistemas e experimentar maneiras novas de se relacionar.

 

[1] Resumo aqui alguns conceitos que podem mais aprofundados no livro Atendimento Sistêmico de Famílias e Redes Sócias, de Juliana Gontijo Aun, Maria José Esteves de Vasconcelos e Sônia Vieira Coelho, Ed. Ophicina de Arte & Prosa, pags. 62 a 67.



TÉCNICAS DO PSICODRAMA

19/11/2010

NO ATENDIMENTO DE CASAL E FAMÍLIA

 Maria Lúcia Mendonça Coelho

INTRODUÇÃO

Geralmente os casais e famílias que buscam uma terapia estão angustiados e em crise por problemas nas suas relações.

Um dos primeiros objetivos na terapia de Casal e Família é restabelecer o diálogo franco e sincero, desenvolvendo a capacidade de negociar e buscar propostas de mudanças.

Estas são técnicas utilizadas na Análise Psicodramática e Abordagem Sistêmica que mais utilizo no atendimento de Casais e Famílias.

É sempre muito importante poder aprofundar o conhecimento teórico destas abordagens para que estes instrumentos possam ser utilizados adequadamente.

As técnicas descritas abaixo facilitam e propiciam a condução da terapia para que possamos ajudá-los a resolver ou amenizar seus conflitos.

Duplo

Técnica através da qual uma pessoa, identificando-se com o protagonista, dá voz ao que ele não consegue colocar em palavras. Coloca-se em palavras o mundo interno do protagonista.

É uma técnica muito usada pelos terapeutas para dar voz àquilo que o cliente sente, ou pensa, ou percebe, ou tenciona, mas como é proibido pelo conceito de identidade, ele tem dificuldade de formular de maneira mais clara. [1]

ESPELHO

 Técnica através da qual o protagonista olha uma cena em que está envolvido. Isto permite à pessoa (protagonista) olhar fora dela algo que ela produziu.

O terapeuta repete o discurso do cliente em direção do próprio cliente e, após a resposta, troca de papel com o cliente e torna a repetir o diálogo. Desta forma força-se o cliente a conversar consigo mesmo. Durante o espelho o terapeuta no papel do cliente deve sempre pressionar visando uma resposta do cliente à sua pergunta ou questão proposta pelo próprio cliente quando neste lado da conversa. É uma Interpolação de Resistência, que faz parte do Espelho. [1]

É uma técnica importante na abordagem de divisões internas externalizadas.

ESPELHO QUE RETIRA

É uma modalidade da Técnica do Espelho em que o terapeuta repete o discurso do cliente em direção a um ego-auxiliar ou almofada enquanto o cliente fica na posição de observador. Em seguida o terapeuta entrevista o cliente para voltar a fazer o espelho e assim por diante.

É uma técnica interessante de ser usada quando surgem defesas intrapsíquicas. [1]

Tribuna Livre

Esta é uma técnica muito interessante e útil para ser aplicada em trabalhos com casal ou família. É válida também para trabalhos em grupo.

Seus objetivos principais são o de exercitar a escuta e evitar as interrupções e contraposições (bate-boca) que costumam ocorrer em terapia de família. Serve para romper silêncios e silenciar ruidosos…

Esta técnica consiste em colocar uma cadeira em destaque no setting terapêutico. Esta cadeira será ocupada em um sistema de rodízio por cada membro do casal ou da família e poderá “falar livremente” sobre as consignas passadas pelo terapeuta.

Um modelo de consigna poderia ser este:

 “A partir de agora vamos trabalhar com vocês utilizando uma técnica chamada de Tribuna Livre. Quem sentar na cadeira que coloquei em destaque só falará comigo como se estivéssemos só nos dois nesta sala. Os demais devem ouvir com atenção e em silêncio”.

Os demais membros do casal ou família não podem interromper ou falar. Devem “ouvir”. Se quiserem podem anotar para comentar quando chegar sua vez. O terapeuta controla também o tempo de fala de cada um, podendo interromper ou questionar quem está na “Tribuna”.

O terapeuta vai estabelecendo a seqüência dos ocupantes da “Tribuna Livre” até que julgue adequado encerrar. Cada membro do casal ou da família pode ocupar a
“Tribuna Livre” por várias vezes.

Se o terapeuta julgar adequado ele pode emitir sua impressão e ouvir a avaliação dos participantes

CADEIRA VAZIA

A cadeira vazia é uma espécie de psicodrama imaginário em que o paciente ora assume seu próprio papel, ora o papel da outra pessoa em questão, sentando-se na cadeira vazia e representando a pessoa à qual deseja falar algo ou dela obter resposta, explicação ou qualquer outra fala que proporcione o fechamento da gestalt aberta.  É uma técnica muito usada também em trabalhos de despedida, nos processos de “dizer adeus”, seja a alguém que já morreu ou afastou-se definitivamente do paciente

A técnica da cadeira vazia (hot-seat) consiste em colocar o cliente sentado e à sua frente uma cadeira vazia na qual, imaginativamente, estará sentado um personagem qualquer a quem o paciente deve se dirigir. É uma vivência útil para resolver situações inacabadas, nas quais a pessoa não consegue estabelecer contatos satisfatórios nas suas inter-relações devido à existência de sentimentos como raiva, mágoa e ressentimento, conscientes ou não.

ÁTOMO SOCIAL

O átomo social é uma configuração social das relações interpessoais que se desenvolvem a partir do nascimento. Na sua origem compreende mãe e filho. Com o passar do tempo vai aumentando em amplitude com todas as pessoas que entram no círculo da criança e que lhe são agradáveis ou desagradáveis e aqueles que reciprocamente a têm como agradável ou desagradável. Daí se vê que o átomo social tem uma tele estrutura característica de uma constelação em permanente mudança. [3]

Cada indivíduo pode se reconhecer em um número indefinido de átomos sociais (átomo familiar, átomo profissional,…). Estes átomos sociais se cruzam, se interceptam e se multiplicam no curso de uma vida humana.

Cada um de nós é protagonista e artífice da formação, do crescimento, da dissolução e do renascimento de todos os átomos sociais que se compõem e se decompõem no caleidoscópio do universo humano. [2]

Esta técnica pode ser aplicada com o terapeuta pedindo ao paciente para apresentar dramaticamente as pessoas que lhe são de fato emocionalmente significativas. Estas podem ser próximas ou distantes, mortas ou vivas, do presente, do passado e até mesmo personagens imaginadas do futuro.

“Representa-se a si mesmo e a todos os membros do seu meio imediato do seu átomo social. Procura mostrar como atua em situações decisivas diante deles e como eles atuam nestas situações em relação a ele. Então, tenta mostrar como atua em situações chave. Procura reviver estas situações tão fielmente quanto possível. Apresenta a si mesmo de uma forma unilateral e subjetiva e apresenta diversas pessoas do seu meio, unilateral e subjetivamente, e não como elas são. Representa seu pai, sua mãe, seu irmão, sua esposa e qualquer membro do seu átomo social, com todo tendencionismo subjetivo. Representa e revive as correntes emocionais que enchem o átomo social. Os equilíbrios e desequilíbrios, dentro do átomo social, podem encontrar, assim, uma catarse no seu psicodrama. [2]

 ÁTOMO DA CRISE

Esta é uma variação do átomo social e consiste em pedir ao casal ou à família para trazer psicodramaticamente as pessoas que estão envolvidas na crise e nas questões de angústia.

O procedimento é o mesmo do átomo social, mas com a seguinte consigna:

 “Pensem nas pessoas que fazem parte deste tema (da crise, da dinâmica) que vocês estão trazendo. Imaginem que cada uma delas está sentada numa cadeira da sala. Falem  para elas tudo que acharem que devem, que querem e que precisam falar”.

Se for um casal, eles trazem o átomo da crise isto é, as pessoas do conflito, e um por vez fala para cada uma das pessoas do átomo através da técnica da Cena de Descarga. Exemplo:

  • Cliente: “Vou falar para meu sogro!”
  • Terapeuta: “Isto! Imagine que ele está sentado nesta cadeira e fale tudo que deseja para ele”.

Os outros membros apenas ouvem e, quando chegar a vez deles, farão o mesmo.

O terapeuta que está conduzindo a sessão pode ajudar o cliente a fazer a Cena de Descarga usando a Técnica do Duplo, isto é, ajudando a falar coisas que o cliente já falou em outras sessões, mas neste momento não está conseguindo falar.

A técnica da Cena de Descarga está descrita a seguir.

CENA DE DESCARGA [4]

A Cena de Descarga é uma técnica sistematizada e desenvolvida por Victor R.C.S. Dias. Uma Cena de Descarga pode ser sobre uma situação que nunca tenha acontecido e que podem até não acontecer na vida do cliente, mas com o auxílio desta técnica, pode-se fazer com que ocorram e os objetivos daremos após a descrição das duas subdivisões desta técnica.

Cena de Descarga Direta: é feita pelo próprio cliente estimulado pelo terapeuta, expressando e comunicando seus conteúdos internos para um personagem do seu mundo externo (relacional) ou para um personagem do seu mundo interno (intrapsíquico). Estes personagens podem ser representados por almofadas, cadeiras vazias, objetos da sala e, quando existe a possibilidade, para um ego-auxiliar.

Cena de Descarga pelo Espelho: é feita pelo próprio terapeuta usando a técnica do espelho. O cliente fica com o papel de observador, enquanto o terapeuta expressa e comunica os conteúdos, contidos ou reprimidos, do cliente para personagens do seu mundo interno (intrapsíquico). Nestes casos, muitas vezes, o terapeuta acaba acoplando ao espelho conteúdos latentes (Técnica do Duplo), aumentando assim a eficiência da descarga.

Objetivos:

  1. Reduzir o superaquecimento do cliente pela exacerbação dos conteúdos internos e conseguir um mínimo de postura reflexiva para examiná-los.
  2. Evitar cargas transferenciais para o terapeuta, dirigindo o fluxo de conteúdos do cliente para personagens do seu mundo externo ou para figuras internalizadas em questão, e não para o terapeuta.

 Bibliografia de referências

  1.  Análise Psicodramática – Teoria da Programação Cenestésica, Victor R.C. Dias, Editora Ágora, 1994
  2. Psicodrama, J.L.Moreno, Editora Cultrix, 1997
  3. Psicodrama de Grupo e Psicodrama, J.L.Moreno, Fondo de Cultura Económica, 1996
  4. Psicopatologia e Psicodinâmica na Análise Psicodramática, Victor R.C.S. Dias e Colaboradores, Volume III, Capítulo 6, Editora Ágora, 201

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